
Números da Pesquisa Nacional da Saúde (PNS) podem indicar por que algumas das emergências de Fortaleza estão superlotadas. No Ceará, 37,1% das pessoas não usam cinto de segurança no banco da frente dos veículos, enquanto 64,4% não fazem uso do equipamento no banco de trás. O Estado é o 12º na proporção de adultos que tiveram lesões corporais em acidentes de trânsito, entretanto, é o quarto onde as pessoas deixaram de realizar atividades habituais depois de acidentadas, o que pode ser um indicativo da gravidade das ocorrências. Quando o assunto é uso do capacete, o Ceará é o sexto com menos condutores equipados e o nono com menos passageiros protegidos.
A PNS, divulgada ontem pelo IBGE, fez entrevistas em quase 82 mil domicílios brasileiros, sendo 3.770 no Ceará, e detalha dados de 2013. O objetivo é que as informações subsidiem políticas públicas nas áreas de promoção, vigilância e atenção à saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).
Este ano, entre janeiro e o dia 18 de maio, 4.508 pessoas vítimas de acidentes de trânsito foram atendidas no Instituto Dr. José Frota (IJF), que teve ampliação anunciada para desafogar a rede de urgência e emergência do Estado. “Os acidentados sempre são levados para os governos tratarem (nos hospitais públicos), até para quem tem plano de saúde, só vai para o particular de forma secundária. Isso onera, e muito, o SUS”, afirmou o chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional, Dirceu Rodrigues.
Cinto de segurança
De acordo com Dirceu, o cinto de segurança fornece proteção em torno de 100% em relação ao quadril, de 60% para a coluna, 56% para a cabeça, 45% para as vísceras do tórax e de 40% para o abdômen. “Sem o cinto, o impacto entre o volante e o abdômen esmaga as vísceras, causa comum de hemorragia interna”, detalhou o especialista.
Nos passageiros do banco traseiro, no momento da colisão frontal, o indivíduo é jogado para cima e para frente, na velocidade em que o veículo se encontra. “Se tiver gente na frente, a pessoa vai passar por cima dela. Se quem estiver atrás for um corpo pequeno, como uma criança, será ejetado do veículo pelo para-brisa”, detalhou Dirceu.
Capacete
Conforme o médico aposentado do IJF e pesquisador, Lineu Jucá, o acidente de moto é 27,5% mais grave do que o de carro porque não possui equipamentos de segurança. “A moto mata oito vezes mais que o carro e sete vezes mais se a pessoa estiver sem capacete”, avalia.
Dirceu Rodrigues acrescentou que o capacete possui um tipo de isopor que dissemina o impacto da colisão. Ele destacou que muitos motociclistas usam o equipamento fora do prazo de validade ou com remendos. “Mototaxista, para nós, não deveria existir. Numa curva, o garupeiro sempre tende a se inclinar para o lado contrário, o que pode desestabilizar a moto. E o capacete de uso compartilhado pode transmitir doenças oculares, dermatológicas e até pulmonares”, afirmou.

