Ex-advogado pessoal de Trump dribla racha republicano e avança para se tornar secretário de Justiça

Todd Blanche, que já atua de forma interina como secretário de Justiça dos Estados Unidos, deu mais um passo para assumir oficialmente o comando do Departamento de Justiça. Nesta terça-feira (4), ele foi aprovado por uma comissão do Senado após superar a resistência de dois membros de seu próprio partido, John Cornyn e Thom Tillis.

Blanche, que agora depende apenas da aprovação do plenário, ocupa interinamente o cargo deixado por Pam Bondi, demitida no início de abril em meio à crise provocada pela condução do caso Jeffrey Epstein. Apesar do apoio público e frequente do presidente Donald Trump, sua indicação enfrentava obstáculos na bancada republicana.

A resistência se concentrava em duas medidas adotadas por Blanche. A principal era a criação de um fundo de US$ 1,8 bilhão contra o chamado “aparelhamento político”, destinado a indenizar pessoas que afirmassem ter sido alvo de perseguição política por parte do governo federal.

A segunda tratava-se de um decreto assinado em maio, relacionado a um acordo entre o Departamento de Justiça e Donald Trump, que, segundo os senadores, poderia ser interpretada como uma proteção ampla contra futuras auditorias fiscais envolvendo o presidente e pessoas ligadas a ele.

Para destravar sua indicação, Blanche publicou, no último fim de semana, uma nova ordem revogando oficialmente o fundo e esclarecendo que o acordo de maio produz efeitos apenas sobre as partes envolvidas na ação judicial original e apenas em relação a reivindicações passadas. Com isso, os senadores John Cornyn e Thom Tillis retiraram a resistência à sua confirmação.

No documento, publicado nas redes sociais de Blanche, ele enfatiza que o fundo jamais entrou em operação: nenhum conselho gestor foi nomeado, nenhum recurso foi transferido, nenhuma reivindicação foi apresentada e nenhum pagamento foi realizado.

Tillis, um dos dois senadores republicanos que ameaçavam barrar a indicação caso o fundo não fosse revogado, afirmou estar satisfeito com a decisão, mas voltou a criticar a politização do Departamento de Justiça. Cornyn, por sua vez, disse que a revogação demonstra um compromisso assumido por Blanche e afirmou esperar que a pasta “cumpra esse entendimento nos futuros processos judiciais”.

Entre democratas, a indicação de Blanche foi duramente criticada. O senador Sheldon Whitehouse afirmou que o comitê estava “prestes a aprovar nesta provavelmente a pessoa mais desacreditada a buscar o cargo”.

Nos EUA, o Departamento de Justiça historicamente desempenhava uma função com certa independência do presidente. Porém, durante o segundo mandato de Trump, isso não tem sido a praxe. Antes de Blanche, Bondi sempre aparentou ser favorável ao presidente e costumava elogiá-lo em audiências do Senado.

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