
Na noite desta terça, dia 31 de dezembro, pouco mais de 250 barcos deverão circular no mar de Copacabana em busca de uma posição privilegiada para ver o espetáculo de fogos de artifício que atrai milhões de pessoas a cada Réveillon. Há 26 anos, na noite de 31 de dezembro de 1988, 153 pessoas seguiam a bordo do iate de luxo Bateau Mouche em busca do mesmo objetivo. Com o dobro da capacidade permitida, o barco não conseguiu chegar à posição desejada. Em torno de dez minutos antes da meia-noite, a embarcação naufragou, no trecho entre a Ilha de Cotunduba e o Morro da Urca, em frente à Praia Vermelha.
A tragédia matou 55 pessoas, e mais de duas décadas depois, a sensação de impunidade impera. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) ainda tem pelo menos cinco recursos relacionados ao caso pendentes de julgamento. Ninguém está preso pelas mortes, e os três sócios estrangeiros que haviam sido condenados no regime semiaberto, não chegaram a cumprir nem um ano da pena, e fugiram para a Espanha. O português Álvaro Pereira da Costa e os espanhóis Avelino Rivera e Faustino Puertas Vidal haviam sido condenados a quatro anos no regime semiaberto por homicídio culposo, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Numa das saídas da prisão, não retornaram mais. Como o Brasil não tinha acordo de extradição com a Espanha, ficaram livres e impunes na Europa.
Com capacidade para 62 pessoas, o Bateau Mouche partiu em direção ao mar de Copacabana com autorização da Marinha com mais do dobro de pessoas permitido. Posteriormente, um laudo da própria Marinha apontou que o convés superior do barco tinha recebido uma camada de cimento que causava excesso de peso. O relatório indicou ainda que a bomba de esgoto do navio não estava em boas condições.

