A ocorrência de chuvas no Ceará este ano não foram suficientes para reabastecer os reservatórios do Estado. Além do volume de chuvas ter diminuído em maio, outra preocupação se intensifica com relação à produção irrigada – cuja situação é bastante crítica, diante da baixa reserva de água. O quarto Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado no período de 16 de abril a 15 de maio deste ano, mostra que, dos 50 produtos pesquisados, em relação ao mês anterior, 35 apresentam alterações na expectativa da estimativa da produção para 2014, comparando-se com o mês anterior – sendo 16 positivas e 19 negativas. A safra de grãos deve superar 335,50% a safra de 2013, que foi um ano de seca intensa.
Segundo o Levantamento, divulgado, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no Ceará (IBGE), através do Grupo de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias do Ceará (GCEA-CE), os produtos que apresentam crescimento da estimativa de produção de 2014 são: fava, feijão-de-corda (2a safra), milho (espiga e semente), tomate, cana-de-açúcar de sequeiro, acerola, ata (pinha), banana irrigada, goiaba irrigada, goiaba de sequeiro, manga de sequeiro, manga irrigada, palma forrageira e mamão.
Por outro lado, os produtos que apresentam redução na expectativa da produção de 2014 são: algodão herbáceo sequeiro, amendoim, arroz de sequeiro, arroz irrigado, batata-doce, feijão de arranca 1ª safra, feijão-de-corda 1ª safra, sorgo granífero, mamona, mandioca de sequeiro, café arábica (em grão), castanha-de-caju (comum), castanha-de-caju (anão), coco-da-baía (seco), coco-da-baía (água), laranja, maracujá, seriguela e uva.
DESTAQUES
No grupo de cereais leguminosas e oleaginosas, observa-se que doze produtos apresentaram alterações sendo que quatro produtos alteraram positivamente e oito negativamente. Os produtos que apresentam crescimento da estimativa de produção de 2014 são: fava, feijão-de-corda 2ª safra, milho e milho semente. Dos produtos que apresentam redução estão o algodão herbáceo de sequeiro, amendoim, arroz de sequeiro, arroz irrigado, feijão de arranca (1ª safra), feijão-de-corda 1ª safra, sorgo granífero e mamona.
Segundo o IBGE, acerca do milho, o crescimento ocorreu por conta da expansão nas áreas plantadas no município de Sobral, Hidrolândia, Itapipoca, Beberibe, Mombaça, municípios da microrregião do Baixo Jaguaribe e Serra do Pereiro, cujos produtores se animaram com as chuvas que chegaram. Com isso, no cômputo geral, a nova produção estimada de grãos é de 1.055. 454 toneladas em 2014, representando uma redução de 0,46%, comparando-se à estimativa anterior (1.060.305 t), e de 1,28%, com relação à estimativa inicial do ano (1.069.109 t).
Quanto a frutas frescas, composto de 19 produtos, 13 sofreram alterações, sendo oito positivas e cinco negativas. No primeiro caso, estão: acerola, ata (pinha), banana irrigada, goiaba irrigada, goiaba de sequeiro, manga sequeiro, manga irrigada e mamão. Entre as reduções, estão a goiaba irrigada, laranja, maracujá, seriguela e uva. A produção esperada é de 1.383.669 t, crescendo 26,30% em relação a 2013 (1.095.518 t), uma redução de 0,64% em relação ao mês anterior (1.374.835 t), e de 0,45% diante da inicial (1.377.531 t). “Entretanto, devido à crítica situação hídrica no estado do Ceará, nos meses seguintes os técnicos estarão em campo, dimensionando as perdas na produção irrigada decorrentes”, destacou o IBGE, em nota.
No grupo composto por frutos secos, a castanha-de-caju (gigante e anão), apresentou redução em relação ao mês anterior. No caso da castanha gigante, o decréscimo foi de 0,04%, e de 0,02% no caso da castanha anão – ambas modificações efetuadas no município de Paraipaba. No cômputo geral, nos 143 municípios onde o fruto é cultivado, a castanha-de-caju (total) tem sua produção estimada em 162.633 toneladas, sendo 0,05% menor que a previsão realizada no mês anterior (162.767 t). Comparando-se à safra 2013 (52.973 t), que apresentou perdas, a estimativa da produção total esperada acena com um incremento de 207,01% em 2014.
OUTROS PRODUTOS SOFRERAM VARIAÇÕES
O coco-da-baía (seco) apresenta decréscimo para 147.883 mil frutos (0,01%), representando redução de 1,28%, comparando-se à primeira estimativa e crescimento de 45,07% em relação ao ano anterior, devido à exclusão deste produto no município de Mombaça. Contudo, o coco-da-baía (água), alterou a produção esperada em relação ao mês anterior (144.335 mil frutos), devido à reavaliação na área do município de Sobral, que hoje é menor. Com isso, o coco (total) decresce a expectativa de colheita, em 0,20%, para 365.400 mil frutos, mas representando crescimento de 77,31%, em relação à safra 2013, e de 27,91%, comparando-se à primeira projeção (295.284 mil frutos).
A mandioca de sequeiro apresenta redução de 1,59% na produção esperada, quando comparada, ao mês anterior (595.612 t); redução de 2,85%, comparando-se à primeira estimativa (599.521 t), e cresce em 100,03%, em relação à safra 2013, esperando-se uma produção estimada em 582.411 toneladas. A mandioca irrigada, por sua vez, segue sem alterações. Assim, a mandioca (total) decresce 1,57% a expectativa para 591.985 toneladas, representando, porém, alta de 95,82%, em relação à safra 2013 (302.318 t).
AVALIAÇÃO
Ao comentar os números registrados pelo Levantamento, o técnico de pesquisa do IBGE, Luís Facundo, observou que, embora as chuvas ocorridas este ano não fossem regulares, os resultados preliminares da safra superam os números de 2013. “Pra gente aqui do Ceará, a safra já está bem melhor do que inicialmente esperávamos. As chuvas, no Estado, não abasteceram os reservatórios, no entanto, não foram ruins para a agricultura, assim como para a forragem e pecuária”, salientou o técnico.
Contudo, ele atentou para a dificuldade da manutenção das culturas irrigadas, já que as precipitações deste ano não elevaram os níveis de água dos reservatórios. “Então, prevê-se que carência de água para suprir essas culturas”, asseverou Facundo.


