SALITRE: Três mil protestam contra falta d’água

OKariri, por O Estado

 

Com o tema “Queremos água para matar a nossa sede”, cerca de três mil pessoas participaram ontem de uma manifestação pelas ruas de Salitre, na região do Cariri, conduzindo faixas e cartazes, denunciando a angustiante situação da seca que instalou-se no município. O ato contou ainda com a participação de representantes de 28 sindicatos de trabalhadores rurais, estudantes, profissionais liberais, servidores públicos, entidades de classe, poderes Executivo e Legislativo municipal, Fetraece, Caritas Diocesana, e Diocese do Crato.

 

Os manifestantes, que saíram da Praça Central, em caminhada, mostraram a sua indignação com a falta d’água, problema que está afetando os 16 mil habitantes de Salitre, que hoje não contam com água de boa qualidade para o consumo humano. Durante a caminhada, as pessoas gritavam palavras de ordem como “Queremos água para beber, precisamos matar a nossa sede. Senhor governador, resolva a nosso problema, não aguentamos mais este transtorno”, e protestavam contra o descaso. O ato foi liderado pelo bispo Diocesano do Crato, dom Fernando Panico, que acompanhou todo o percurso ao lado dos manifestantes e do prefeito Agenor Manoel Ribeiro.

 

Em pronunciamento, o prefeito Agenor Manoel Ribeiro, afirmou que há mais de oito anos, a população de Salitre não tem água na torneira. “O município era abastecido por um poço, localizado no município de Araripe, onde houve problema em uma bomba e até hoje ela sequer foi consertada”, denunciou, acrescentando que a responsabilidade da recuperação do equipamento é do Governo do Estado.

 

Conforme ainda o prefeito, a adutora é de responsabilidade da Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará), que nunca cobrou a taxa de abastecimento d água na cidade. O problema está afetando cerca de 10 mil pessoas, na sede, além de nove comunidades que tiveram seu sistema de canalização d’água feita pelo Projeto São José, e que não está funcionando porque depende do poço profundo instalado na adutora.

 

NOVA ADUTORA
Agenor ressalta o que espera do Governo do Estado, é que ele possa construir uma adutora interligando Salitre e Campos Sales, para o aproveitamento da água do açude Poço da Pedra, localizado em Campos Sales. Entretanto, este açude não resolve o problema, uma vez que sua capacidade de armazenamento está muito abaixo do normal.

 

Para a população, a situação só será resolvida com a colocação de uma nova bomba no poço, que tem água suficiente.
Já o representante da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Ceará, disse que o povo de Salitre, está consumindo uma água salgada. “Queremos, com este ato, chamar a atenção do governador do  Estado, a fim de que ele possa apresentar alternativas para a solução do problema. Estamos vendo cenas de coisas do passado. Quando o carro-pipa chega aqui, a população tem que aglomerar-se para tentar pegar água para beber. Queremos uma adutora e poços profundos”, desabafou.

 

ESSENCIAL
O bispo diocesano do Crato, dom Fernando Panico, afirmou ser essencial a água para a vida humana e dos animais e das plantas, no universo. “Deus Pai, criou a água para que ela fosse o sustento da vida e nós sabemos que sem água não poderemos viver. Esta realidade do povo de Salitre, que há anos vem amargurando a falta de providências públicas para o problema, precisa ser revertida.

 

Em nome da Diocese e da Igreja Católica, estamos endossando este movimento em solidariedade à sociedade de Salitre. Enviamos uma carta para todas as paróquias para arrecadação de alimentos para as vítimas da estiagem. Fiz uma carta ao governador Cid Gomes, pedindo que adote políticas para a melhoria do sistema de abastecimento de água não só para Salitre, mas de todos os municípios do Cariri que encontram-se em estado de calamidade pública”, ressaltou.

 

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