Ex-Beatles e Madonna salvam o Grammy 2014

Uma canção novinha em folha de Paul McCartney, cantada por ele e com Ringo Starr na bateria. Foi um bálsamo o tributo aos Beatles na noite dos Grammys, no Staples Center de Los Angeles na madrugada do últimos domingo.

Até o último momento mantiveram o suspense: todo mundo tinha dúvidas se eles se juntariam (pela primeira vez em 4 anos). Mas aí surgiu a glamourosa Julia Roberts, e só podia ser boa notícia.

Foi a cereja do bolo: Paul e Ringo apareceram enfim juntos, e iniciaram Queenie Eye (uma canção que tem uma pegada de Magical Mistery Tour, mas ao mesmo tempo uma modernidade típica da banda estradeira de Paul).

Em geral, a cozinha da banda de Paul tem apenas Abe Laboriel Jr., que é bom mas tem mão pesada. A batida de Ringo (ao lado de Laboriel) devolveu certo relevo à musicalidade do grupo.

E o mais legal foi ver Yoko Ono e Sean Lennon dançando desencanadamente ao fundo, uma utopia beatlemaníaca.
Com apenas um disco na carreira, The Heist, o duo Macklemore & Ryan Lewis, de Seattle, confirmou seu incomum favoritismo e se tornou o principal premiado da categoria rap, com três prêmios.

Havia dúvida até se poderia realmente competir na categoria rap. Mas acabaram batendo gigantes como Jay Z, Lamar e Kanye West. Além de tudo, levaram o prêmio de revelação.
A vitória acachapante da dupla encheu as redes sociais de controvérsia e acendeu a fúria dos “haters”, que os compararam ao duo Milli Vanilli, dos anos 1980 (considerado uma fraude porque somente simulava cantar em discos).

Beatles, Stones, Led Zeppelin, Black Sabbath: o passado marcou presença fortemente na premiação, com a vitória do Led Zeppelin como melhor disco de rock e o Black Sabbath se destacando como a melhor performance de hard rock.

O Vampire Weekend levou o de música alternativa. O Daft Punk confirmou o favoritismo na seara eletrônica. A dupla francesa foi à cerimônia com seus capacetes, que ocultam suas identidades.

Ao receberem o prêmio, foi o rapper Pharrell quem falou por eles. Mas fizeram um bailão no final, em Get Lucky, com uma apresentação com Stevie Wonder, Nile Rodgers e Pharrell.

Os Beatles e o Daft Punk salvaram a noite. Em geral opacas e ensaiadinhas demais, as apresentações da noite tiveram um certo gosto de American Idol.

Astros emergentes como Hunter Hayes ou decadentes como Pink não seguram a onda, nem com produções grandiosas – Hayes cantou o seu novo single, Invisible; Pink veio de Cirque du Soleil, pendurada e fazendo acrobacias em uma canção já batida, Try.

Taylor Swift acentuou o clima de reality show, com sua performance em All Too Well, um tanto soporífera. Já John Legend fez ao piano uma apresentação delicada cantando All of Me.

Ringo e sua All Starr Band vieram a seguir com Photograph, com exibição de fotos dos Fab Four no telão. Parecia tudo que haveria de Beatles, mas logo veríamos que havia coisa melhor.

A apresentação da banda Imagine Dragons (todos de branco, como se fizessem parte da seita Racional) e do rapper Kendrick Lamar num mash up de Radioactive/M.A.A.D. City chegou a entusiasmar parte da plateia, que se levantou para dançar.

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