Arqueologia em Milagres (Parte 4): Vila Fronteiro

(Fotos: Acervo EEEP Ana Zélia da Fonseca)

A Vila Fronteiro localiza-se às margens da BR 116. De acordo com relatos de moradores locais, pode-se evidenciar presença de objetos históricos na localidade.

A Sra. Régis Dantas, professora e residente na localidade, informa que possui um texto escrito sobre a história da mencionada vila, “fiz esse documento para auxiliar os trabalhos realizados pelas escolas, quando solicitam aos alunos buscar a história da localidade onde moram”, esclarece. De acordo com o documento escrito, tem-se:

O Fronteiro surgiu entre os anos de 1700 a 1822; quando um senhor conhecido por nome de João Gonçalves Pereira, vindo do Rio Grande do Norte, tomou posse das terras passando a ser dono deste lugar que se chamava Olho D’água, limitando-se ao nascente com o sítio Tabocas, ao poente com o sítio Olho D’água do Mingú, ao norte com o sítio Oitis e ao sul com o sítio Unha de Gato.

Em uma terra sem habitação, tudo era mata. Logo após o Sr. João Gonçalves Pereira comprou um cavalo para suas serventias; caracterizando: cor castanho claro, contendo uma crista branca da cabeça a testa. Com essas características dava-se a este animal o nome Fronteiro.

Tempos depois o cavalo morreu no capinzal na beira do caminho. Onde todos que passavam por ali lembravam do lindo cavalo. E quando alguém pedia informação para ir a tal lugar, as pessoas informavam: “Você vai pelo caminho onde o cavalo Fronteiro morreu”, e este lugar passou a ser chamado de Fronteiro.

Anos e anos depois, Manoel Branco sendo tataraneto do Sr. João Gonçalves Pereira, comprou uma parte dessa terra e fundou a Vila Fronteiro em 1975, limitando-se ao nascente com Jovino Coelho da Silva; ao poente com Raimundo da Cruz e Antônia Furtado de Morais; ao sul com a BR 116; ao norte com Orlando Coelho da Silva.

Em conversa com a moradora Rita Lívia Pereira Dantas, 31 anos, agricultora, a mesma informou que quando criança, andando em um caminho de roça, tropeçou em um objeto, quando o apanhou, percebeu que era algo diferente, um objeto de bronze. Por curiosidade, guardou-o com cuidado. Posteriormente, em decorrência de anos, a mesma encontrou outros objetos de valor histórico para o município, como estribos, uma “vasilha” de ferro, certamente utilizada para derreter algo, e uma garrafa de grês. O objeto de bronze encontrado pela mesma, após análise, trata-se de uma brasão familiar, utilizado no período colonial como carimbo.

No mapeamento arqueológico, o sítio Fronteiro classifica-se como sítio de materiais históricos, além desses achados, outros moradores, relataram que em tempos passados encontraram capsulas de balas do tipo fuzil, e outros tigelas de porcelana quando cavavam o alicerce de suas moradias. A localização geográfica do sítio apresenta uma área plana e favorável à habitação, localiza-se muito próximo a nascentes e lajeiros, principal fonte de renda é a agricultura.

Professor Jonas Fernandes

A série de reportagens “ARQUEOLOGIA EM MILAGRES” é uma parceria do Portal OKariri com a EEEP Ana Zélia da Fonseca e é publicada sempre aos domingos.

2---25092013608.jpg3---25092013610.jpg4---25092013612.jpg5---25092013614.jpg6---25092013615.jpg7---25092013616.jpg

- Publicidade - spot_img
  1. É extraordinária a reputação histórica pelo valor passado as nossas gerações em seu ensino de caráter prático, vejo tantas pessoas da atualidade comprometidas e desperdiçadamente afeiçoadas e até contagiadas com a fantasiosa qualidade do que é moderno, enquanto o simples, o antigo, nos mostra através dessa história que o último degrau da sabedoria da vida são essas historias extraordinárias esquecidas por muitos, e que só os sábios conseguem vê-las. Receba o site okariri prolfaças, e ao mentor deste pensamento de estudo arqueológico manifesto reverência a seu ato. Como dizia a escritora Maria Julia Paes de Silva: O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis. O Fronteiro e nossa humilde terra tem uma linda e longa historia infelizmente pouco conhecida pelos habitantes da mesma.

Comentários estão fechados.