
Aproximadamente 500 manifestantes saíram às ruas de Ocara em protesto por melhorias nos serviços públicos e atendimento a reivindicações de categorias de classe. Segundo o pároco Maurício Lopes, à frente da Paróquia da Sagrada Família, o movimento teve origem no seminário da 5ª Semana Social Brasileira, realizada neste município, no início de julho passado.
Uma carta compromisso foi elaborada e encaminhada as autoridades públicas da cidade. Dentre as principais reivindicações estão água para a população, políticas públicas de segurança, principalmente em relação as drogas, e pagamento de todos os direitos dos professores.Um mês após o Encontro com representantes de 12 comunidades de base, entidades da sociedade civil organizada, além de delegações das paróquias de Acarape, Antônio Diogo, Aratuba e Pacoti, a comunidade de Ocara resolveu realizar a manifstação.
Ameaças
De acordo com o líder da região, professor José Filho, as representações locais do Sindicato dos professores e servidores no Estado do Ceará (Apeoc) e do Sindicato dos Servidores Públicos (Sindsep) aderiram a mobilização. Segundo ele, o número de participantes do protesto só não foi maior porque foram ameaçados, revelando que se caso aderissem ao movimento quem não é efetivado, cerca de 157 educadores, seria dispensado. Já os concursados, mas em estágio probatório, seriam passivos de processo administrativo.
O secretário de educação do município, Regivaldo Freires, não foi localizado para se manifestar a respeito das denúncias dos professores. A reportagem do Diário do Nordeste manteve contato com a chefia de Gabinete da Prefeitura, pois somente ele poderia explicar a situação da categoria. Ele não atendeu as ligações.
A respeito da falta de água na cidade, o presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente, Assis Lima, explicou ter ocorrido em razão da obstrução das bombas de abastecimento da adutora da cidade.
Como a água chega do açude vazante através do rio choró, nas chuvas de julho o afluente foi invadido por sedimentos, prejudicando o bombeamento. Mesmo assim a paralisação ocorreu apenas por três dias. Ele também é o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Ocara.
Pontuais
A Cagece também se manifestou. De acordo com a Companhia, foram registradas apenas duas ocorrências pontuais de falta de água, nas comunidades de Sereno de Baixo e de Cima. No entanto foram solucionadas o mais rapidamente possível, tendo ocasionado falta de água, durante cerca de quatro dias. Entretanto, há três dias ocorreu outro problema, pontual. Houve diminuição da pressão na rede da mesma comunidade. Neste caso a solução foi equacionada em cerca de três horas, evitando grandes transtornos.
Quanto a água poluída, denunciada pelos manifestantes durante a manifestação, Assis Lima informou tratar-se na realidade de sujeira absorvida na captação de água dos carros-pipa. Segundo o gestor, o problema está ocorrendo porque o reservatório público utilizado, o açude vazante, está apenas com 40% da capacidade de seu volume hídrico. Portanto, o nível da água baixou muito.
A curto prazo a solução está sendo o remanejamento da bomba de sucção para mais próximo do espelho d´água, mas a solução definitiva deve ocorrer quando a Superintendência de Obras Hídricas (Sohidra) e a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos no Ceará (Cogerh) autorizarem os carros-pipa a realizarem o abastecimento com a água do Canal do Trabalhador.
O secretário aproveitou a oportunidade para esclarecer outras ações tomadas no município de Ocara. Em parceria com o Governo do Estado, através da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), até o início de 2014 todas as comunidades rurais da cidade terão água encanada, solucionando definitivamente a mazela do abastecimento rústico de água, realizado pelos carros-pipa. Os órgãos de gerenciamento dos recursos hídricos do Estado reconhecem a atual situação como grave. Conforme levantamentos recentes da Cogerh, 25 municípios cearense correm risco de colapso de abastecimento. Alguns deles, como Guaramiranga, Pacoti e Palmácia, estão situados na macrorregião do Maciço de Baturité. Ocara também integra esta região. Mas como o município pode captar água do Canal do Trabalhador, se for atingido pelo colapso os efeitos podem ser amenizados. Já em outras regiões a situação é bem diferente.
A capacidade atual nos144 açudes monitorados pela Cogerh está em 41%. Metade deles está abaixo dos 30% de volume, mas segundo o órgão gerenciador garantirão os recursos hídricos para atender a população até o início de 2014.
Diário do Nordeste

