JUAZEIRO: Prefeitura fecha escola fundamental e revolta população

Alunos mostram cartazes no protesto (Foto: Normando Sóracles/Agência Miséria)

A comunidade da Vila Santo Antônio, zona rural de Juazeiro do Norte, amanheceu esta segunda-feira (20) com a “ingrata notícia do fechamento da única escola de nível fundamental da localidade”. Os portões se mantiveram fechados durante toda manhã, causando revolta e protesto dos moradores.

A Escola de Ensino Fundamental Antônio Pinheiro, fundada em 1967, conta hoje com 76 alunos matriculados e cinco professores. Com seu encerro, a administração municipal de Juazeiro irá transferir as aulas para a Escola Antônio Saraiva, situada no Sítio Junco, há cerca de dois quilômetros da vila.

De acordo com o Professor Francisco Agostinho, os motivos alegados pela Gestão do Prefeito Raimundo Mâcedo são a falta de estrutura do colégio e o pequeno número de estudantes matriculados; argumentos estes, destoantes da realidade, segundo depoimento de várias famílias.

“É um total absurdo. Não existe lógica fecharem a escola. Aqui existem quase 80 estudantes, lá esse número não chega á 30. Temos uma estrada que passa na porta do colégio, sem contar com a proximidade para toda comunidade. Lá a escola é cercada pelo mato, o prédio tem várias rachaduras e na quadra invernosa tudo fica ilhado”, relata a agente de saúde Maria Célia de Brito, que tem três filhos matriculados no Antônio Pinheiro.

Embravecida com a notícia, a dona de casa Sônia Neuza Monteiro, diz que a comunidade, que hoje conta com 118 famílias, irá lutar “até o fim para manter a escola”. “46 anos de tradição não podem ser jogados no lixo assim do nada, sem nenhuma explicação lógica. Tenho dois netos que estudam aqui, perto de casa, da família, e com uma estrutura até boa. Queremos aos nossos filhos e netos o avanço e não o retrocesso, como irá acontecer caso essa medida seja efetivada”, expõe.

Com a decisão já homologada pela Secretaria de Educação – segundo os próprios professores – os moradores da comunidade prometem impedir que as cadeiras sejam retiradas da escola na tentativa de reverter o quadro. “Até agora nenhum carro veio recolher os objetos da escola, mas quando vierem, tentaremos impedir, não podemos deixar de lutar pelos nossos direitos”, finaliza Neuza.

Agência Miséria

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