
Alunos de escolas públicas de Aurora participaram, na manhã de ontem, de uma caminhada pelas principais ruas e avenidas da cidade, em alusão à Campanha Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que acontece em diferentes cidades brasileiras.
A campanha é um dos eventos que marcam o dia 18 de Maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, comemorado neste sábado.
Neste ano, a campanha traz o seguinte slogan: “Faça Bonito – Proteja nossas Crianças e Adolescentes”. Em Aurora, segundo os organizadores, o objetivo da manifestação foi o de conclamar a sociedade local a assumir papel fundamental no combate de crimes cometidos contra meninos e meninas, menores de 18 anos.
Convocação
“Não é apenas uma caminhada pelas ruas da cidade. É mais que isso. É a convocação de toda uma sociedade para que tenhamos um basta em relação aos crimes ainda praticados contra nossos jovens e adolescentes”, avalia a secretária do Trabalho e Assistência Social do município, Bernadete Gonçalves.
Segundo ela, embora os números não sejam assustadores, ainda há casos de crianças e adolescentes vítimas de abuso e maus-tratos no município.
“Os números são diminutos. Porém, ainda há, sim, crianças que sofrem danos psicológicos, emocionais, afetivos e que precisam do atendimento do poder público, mediante a ausência de apoio, muitas vezes, no próprio seio familiar”, explica.
Para o secretário de Juventude do município, Pedro Henrique de Macedo, a questão precisa ser amplamente discutida. “Enquanto a sociedade não entender a importância de seu papel no combate aos crimes contra crianças e adolescentes, não haverá como o problema ser solucionado”, afirma ele. Pedro Henrique lembra que, através de parceria entre municípios, Estado e União, diversos equipamentos de apoio às vitimas são disponibilizados atualmente.
“Hoje, os municípios dispõem dos serviços especializados de atendimento. Como por exemplo, os atendimentos realizados por psicólogos, terapeutas, assistentes sociais e advogados. Porém, não serão apenas estes serviços disponibilizados que solucionarão o problema. Nossas crianças e nossos jovens só deixarão, definitivamente, de ser molestados quando todos nós, poder público e sociedade civil organizada, trabalharmos unidos neste propósito”, ressalta o secretário municipal.
Colaboração
Bernadete Gonçalves ressalta que outro fator importante e que muitas vezes impede à ação de combate à violência contra menores é a falta de denúncias.
Segundo ela, “as pessoas têm medo de realizar as denúncias, muitas vezes por falta de informação”. Ela garante que há condições para que o denunciante auxilie no combate coletivo a violência infantil, sem que se necessite ser identificado.
“As denúncias podem ser feitas diretamente a qualquer membro do Conselho Tutelar do município ou, ainda, através do Disk 100, que é um equipamento criado pelo governo federal, onde o denunciante não precisa se identificar”, explica.
Desde que foi criado, em 2003, o Disk 100 já recebeu mais de 95 mil denúncias e 2,2 milhões de ligações. Diariamente o serviço atende a uma média de 90 ligações diárias.
O serviço é executado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), em parceria com o Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria) e a Petrobras.
Além do combate contra crimes sexuais, também podem ser realizadas denúncias de maus-tratos, negligência, pornografia, entre outros crimes. Do total de denúncias recebidas, a maioria, 62%, são contra meninas na faixa etária dos 12 aos 16 anos.
Os índices chegam aos 81% quando as denúncias referem-se, exclusivamente, a violência sexual contra os menores de 18 anos. A ligação para o Disk 100 é gratuita e o usuário não precisa se identificar. O serviço funciona todos os dias, das 8h às 22h.
Diário do Nordeste

