FORTALEZA: Operações já fecharam 300 bares e apreenderam 200 ´paredões´ de som

Os abusos praticados pelos donos de ´paredões´ de som têm sido um dos alvos das operações que vêm sendo realizadas nos fins de semana. Dezenas de aparelhos sonoros já foram confiscados (FOTO: L. C. MOREIRA/DIÁRIO DO NORDESTE)

Trezentos bares fechados e cerca de 200 aparelhos sonoros, a maioria ´paredões´ automotivos, apreendidos, queda no número de delitos como homicídio, roubo e agressões. Este é o balanço que as autoridades da Segurança Pública do Estado e do Município de Fortaleza fazem depois de dois meses de operações conjuntas em Fortaleza com o objetivo de coibir o avanço do crime.

Iniciadas no começo de março, as ações compartilhadas envolvem policiais militares do Batalhão de Policiamento Comunitário (BPCom), ou Ronda do Quarteirão, fiscais das Secretarias Executivas Regionais (SERs) e da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), além da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF). As blitze são realizadas nos fins de semana nos bairros que concentram o maior número de delitos, conforme os levantamentos estatísticos.

Segundo o comandante-geral da PM, coronel Werisleik Ponte Matias, os resultados dessas “já começaram a aparecer”, muito embora o trabalho esteja na fase embrionária. “Havíamos planejado essas ações há oito meses, ainda na gestão anterior (da Prefeitura de Fortaleza), mas só agora, com a nova gestão, estamos concretizando as operações. O comandante do Ronda do Quarteirão realizou um mapeamento de todas essas áreas que estão sendo, agora, alvo das blitze”, afirma Matias.

Adolescentes

Um exemplo dessa nova ofensiva ao crime é a Barra do Ceará, onde, segundo o comandante, foi feita uma operação inicial com o fechamento de mais de uma centena de bares que vinham funcionando de forma irregular. Além da falta da documentação legal (alvará), os estabelecimentos vinham funcionando sem horário pré-estabelecido e, em vários casos, havia ajuntamento de pessoas fazendo uso de bebidas e drogas, até adolescentes, e com a presença de ´paredões´ de som. Também houve casos de prisão de pessoas armadas ou que eram foragidas da Justiça, isto é, tinha mandados de prisão em aberto.

“Na Barra do Ceará, já estamos percebendo uma diminuição sensível dos índices de homicídios, isso por conta também da concentração de efetivos, conforme foi planejado e determinado pelo secretário da Segurança (coronel Francisco Bezerra Rodrigues). Aumentamos a presença nas ruas da Barra do Ceará e os crimes caíram”, assegura. O mesmo tipo de ação vem sendo realizada, conforme o coronel, em outras áreas de risco, como o Bom Jardim e o Conjunto São Miguel, em Messejana.

Desobediência provoca prisões

Alguns proprietários de bares que foram fechados durante as ações de fiscalização da Prefeitura e do Estado ainda resistem ao ordenamento e já houve casos de prisão em flagrante pelo crime de desobediência.

Segundo Plauto Lima, os casos de reincidência acontecem. Os comerciantes decidiram, por conta própria, reabrir seus estabelecimentos sem que fizessem sua regularização junto às Secretarias Executivas Regionais (SER).

“Quando é constatada a irregularidade, a Regional aplica a multa e dá prazo para que o dono do bar obtenha a documentação necessária para o seu pleno funcionamento, mas já tivemos casos em que eles reabriram sem autorização legal e foram levados para a delegacia depois de receber voz de prisão pela desobediência”, assegura.

Um dos primeiros bairros a receber as operações conjuntas da PM com a Guarda Municipal e SER foi Barra do Ceará, na zona Oeste da Capital. Ali, as autoridades constataram um alto índice de estabelecimentos funcionando de forma irregular. A situação surpreendeu até mesmo as autoridades, que acabaram interditando, pelo menos, uma centena de bares. Um deles, situado na Vila do Mar, que reunia ´paredões´ de som todos os fins de semana. Passados alguns dias, o ponto comercial irregular voltou a abrir e a baderna vem se repetindo, conforme denúncias recebidas pela Reportagem. O local, conhecido como ´Bar das Estouradas´, também é ponto de venda de drogas.

Diário do Nordeste

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