Onde ficam as maiores araucárias do Brasil que estão em risco

No alto da serra catarinense, a rotina da família Souza começa com barulho de quadriciclos cruzando o campo gelado em direção a uma clareira de chão batido. O trajeto é curto, mas termina diante do tronco de uma árvore tão largo que um adulto não consegue abraçá-lo: mais de três metros de diâmetro na base e uma cavidade em que, no passado, tropeiros e lavradores se abrigavam da chuva.

É ali que está o “Pinheirão” de São Joaquim, hoje medido como a maior araucária conhecida no Brasil, com 39,2 metros de altura e 106,6 metros cúbicos de volume de madeira. “Minha família cuida dessa araucária há aproximadamente 140 anos”, conta Antônio Luciano de Souza, proprietário da fazenda batizada em homenagem à árvore.

“Meu avô falava que ela era uma gigante da natureza. Que era uma araucária da sorte porque venceu a ganância do homem, eles não tinham serras grandes o suficiente para cortá-la.” A descrição combina com o retrato científico feito anos depois por pesquisadores, que registraram o tronco com 3,25 metros de diâmetro à altura do peito e cavidades internas de vários metros quadrados.

“A visitação das pessoas começou em 2012. Não podia limitar ela somente para minha família, seria egoísmo da minha parte”, diz o proprietário, revelando que o turismo chegou antes da certificação.