A Venezuela convocou na terça-feira (28) o embaixador do Irã para entregar-lhe uma nota de protesto por “expressões depreciativas e impróprias sobre as instituições e autoridades” venezuelanas por parte de Teerã, até então um dos principais aliados de Caracas.
O Ministério das Relações Exteriores venezuelano exigiu “o fim de qualquer alusão ou comparação que diminua a dignidade, a soberania, a institucionalidade ou a reputação” do país latino-americano, segundo um post publicado na conta oficial da pasta na rede X.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou recentemente que “o Irã não é a Venezuela”, uma provável referência à operação militar dos Estados Unidos que capturou o ditador Nicolás Maduro. Desde então, a líder interina Delcy Rodríguez tem comandado o país sob a tutela de Washington.
A convocação do embaixador pode marcar uma mudança nas relações entre Caracas e Teerã, já que os dois países mantêm uma aliança estreita desde que o ex-presidente Hugo Chávez (1954-2013) chegou ao poder, em 1999.
Nas últimas décadas, os países construíram uma relação próxima por compartilharem “inimigos em comum”, como os EUA, e assinaram acordos nos setores petroquímico, de mineração, saúde e educação, cujos detalhes não foram divulgados publicamente.
Em 2025, o Irã enviou à Venezuela, entre outros produtos, 1,5 milhão de barris de gasolina para o país, então mergulhado em uma grave crise econômica e sem capacidade para refinar petróleo suficiente para atender à demanda interna. Naquele mesmo ano, Caracas inaugurou o primeiro supermercado iraniano, que passou a ser alvo de sanções dos EUA.
Desde a captura de Maduro, porém, o cenário mudou. Delcy restabeleceu as relações com Washington, enquanto o presidente Donald Trump tem elogiado reiteradamente sua atuação. As negociações entre o regime e a oposição devem começar em 1º de agosto, com respaldo dos EUA.

