Houthis, aliados do Irã do Iêmen, anunciam bloqueio naval à Arábia Saudita

Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmaram nesta segunda-feira (20) que estão impondo um bloqueio naval à Arábia Saudita, uma medida que abre uma nova frente contra os Estados Unidos em sua guerra no Oriente Médio e amplia a ameaça ao abastecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo.

Teerã havia pressionado os houthis a fecharem a passagem de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao mar Vermelho, caso os EUA continuassem atacando a infraestrutura iraniana.

Em comunicado, os houthis disseram estar declarando “um embargo marítimo contra o criminoso inimigo saudita, com base no princípio de ‘olho por olho’, com efeito imediato”. Segundo o grupo, a decisão foi tomada em resposta ao que classificaram como “um cerco injusto e opressor” imposto ao Iêmen pela Arábia Saudita.

Não houve resposta imediata por parte da Arábia Saudita.

Ainda não está claro como os houthis pretendem implementar o bloqueio marítimo, nem se isso incluirá a retomada de ataques contra embarcações. Com o estreito de Hormuz já afetado, o Mar Vermelho tornou-se uma rota alternativa crucial para o escoamento do petróleo e de outros produtos do Golfo.

O fechamento total do estreito de Bab el-Mandeb reduziria a oferta global de petróleo em cerca de 7%, já que impediria que a maior parte das exportações sauditas de petróleo deixasse a região.

A interrupção se somaria à expressiva redução nos fluxos globais de petróleo causada pela guerra no Golfo, que já diminuiu os embarques em cerca de 10% da oferta mundial. A Arábia Saudita respondeu ao bloqueio de Hormuz desviando mais de 70% de suas exportações diárias habituais de petróleo bruto para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Os navios que partem de Yanbu com destino à Europa seguem ao norte pelo Canal de Suez. Já os que seguem para a Ásia navegam para o sul, passando por Bab el-Mandeb. Os embarques a partir de Yanbu atingiram, nas últimas semanas, uma média de 4 milhões de barris por dia, segundo dados da Kpler e da Signal Ocean, muito acima dos cerca de 973 mil barris diários registrados um ano antes.

O volume total de petróleo transportado por Bab el-Mandeb chegou a 7,4 milhões de barris por dia em junho — cerca de 7% da produção mundial de petróleo — de acordo com dados da Kpler, acima dos 4,2 milhões de barris diários registrados no ano anterior.

Isso forneceu um importante alívio ao mercado de energia, ajudando a conter os preços globais do petróleo. Na semana passada, a Reuters informou que a Arábia Saudita estuda ampliar seu oleoduto até a costa do Mar Vermelho.

O anúncio dos houthis ocorreu após sinais tanto do Irã quanto dos EUA de que ambos desejam retomar os esforços diplomáticos para encerrar a crescente escalada de ataques, que enterrou um frágil acordo provisório firmado no mês passado.

Um funcionário de alto escalão do Irã afirmou à agência Reuters que mediadores do conflito apresentaram à Teerã uma proposta para conter a escalada do conflito com os EUA. O plano prevê um cessar-fogo de dez dias para que as partes tentem retomar a trégua provisória.

Os preços do petróleo subiram mais cedo nesta segunda-feira, após uma nova interrupção no transporte marítimo pelo estreito de Hormuz. Posteriormente, voltou a baixar depois que o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que mediadores haviam apresentado uma proposta a Teerã, sinalizando que os contatos diplomáticos permanecem ativos.

Separadamente, duas fontes do governo do Paquistão disseram que o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, em sua segunda visita a Islamabad em menos de uma semana, solicitou ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito entre Irã e Estados Unidos.

O movimentação diplomática ocorreu após a nona noite consecutiva de ataques americanos contra cidades iranianas, seguidos por ofensivas da Guarda Revolucionária do Irã contra alvos militares dos EUA em toda a região.

O presidente Donald Trump, sob crescente pressão política interna devido ao aumento dos preços da gasolina, defendeu os ataques mais recentes contra o Irã, afirmando que eram uma resposta às mortes de até três militares americanos em ofensivas iranianas recentes.

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