Indicado de Trump para ser embaixador no Brasil cita crime organizado como desafio

O indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para assumir a embaixada americana no Brasil, Daniel Perez, afirmou que o país ocupa posição estratégica para Washington e enfrenta desafios relacionados ao crime organizado transnacional, à disputa geopolítica por influência na América Latina e ao controle de minerais considerados críticos.

As declarações foram feitas durante sabatina no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos nesta quinta-feira, 16, etapa necessária para a confirmação de sua indicação ao posto diplomático.

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Ao apresentar suas prioridades, Perez afirmou que pretende fortalecer a cooperação bilateral em segurança, comércio e investimentos, além de ampliar a atuação conjunta contra organizações criminosas.

“O Brasil não é simplesmente nosso maior parceiro comercial na América do Sul”, disse. “É um país de escala continental e extraordinárias riquezas naturais, além de ter consequências estratégicas crescentes. Sua trajetória nos próximos anos vai modelar a segurança, a prosperidade e influenciar todo o hemisfério.”

Trump durante jantar de trabalho no pátio principal do Palácio de Versalhes, na França - 17/6/2026 | Foto: Xose Bouzas/Hans Lucas/Reuters
Trump classificou as facções criminosas brasileiras como terroristas | Foto: Xose Bouzas/Hans Lucas/Reuters

Durante a audiência, o futuro embaixador afirmou que os Estados Unidos enfrentam “desafios de segurança reais” relacionados ao Brasil. Entre eles, citou a atuação de organizações criminosas transnacionais e o aumento da presença de potências estrangeiras na região, sem mencionar diretamente a China.

Perez também chamou atenção para as reservas brasileiras de minerais críticos, consideradas estratégicas para cadeias produtivas ligadas à indústria de alta tecnologia e à segurança nacional americana.

Comércio e etanol

Na área econômica, Perez voltou a mencionar um dos pontos frequentemente levantados pelo governo americano nas discussões comerciais com o Brasil, sobre a tarifa incidente sobre o etanol produzido nos Estados Unidos.

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O tema figura entre os argumentos apresentados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) durante a investigação comercial conduzida contra o Brasil, que resultou na aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Apesar das críticas pontuais à política comercial brasileira, Perez adotou um tom conciliador ao defender o aprofundamento da relação bilateral.

Prioridades da missão diplomática

Ao detalhar sua atuação caso seja confirmado no cargo, Perez listou cinco prioridades para a representação diplomática americana no Brasil:

  • Proteção dos cidadãos americanos;
  • Fortalecimento do comércio e dos investimentos bilaterais;
  • Ampliação da cooperação contra o crime organizado transnacional e o tráfico de drogas;
  • Apoio às instituições democráticas;
  • Defesa da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão.

Ao encerrar sua exposição, o indicado ressaltou: “Um Brasil estável e democrático é um parceiro melhor para os EUA”.

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