Na segunda-feira, 6, a China realizou um teste de lançamento de um míssil balístico de longo alcance a partir de um submarino nuclear no Oceano Pacífico, gerando preocupações entre países da região e nos EUA. O míssil, com ogiva falsa, foi lançado como parte do treinamento militar anual da Marinha do Exército de Libertação Popular. Embora a China tenha comunicado previamente alguns países, como Nova Zelândia e Austrália, o teste foi criticado por ser realizado em uma área sob o Tratado de Rarotonga, que proíbe armas
A China realizou nesta segunda-feira, 6, um teste de lançamento de um míssil balístico de longo alcance a partir de um submarino movido a energia nuclear no Oceano Pacífico. A operação gerou críticas e preocupação de países da região e dos Estados Unidos.
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O míssil carregava uma ogiva falsa, segundo a agência oficial chinesa Xinhua News Agency. A ação foi conduzida por um submarino da Marinha do Exército de Libertação Popular (ELP). Este lançou um “míssil estratégico com uma ogiva falsa em direção ao alto-mar relevante do Oceano Pacífico, no sul, que pousou precisamente dentro das águas designadas”, de acordo com comunicado do capitão Wang Xuemeng, porta-voz da Marinha chinesa.
O lançamento, de acordo com Wang, fazia parte do cronograma anual de treinamento militar da China. “Este teste de lançamento fez parte da rotina do cronograma anual de treinamento militar da China.”
O porta-voz, segundo a CNN, afirmou ainda que países envolvidos receberam comunicação antecipada sobre o exercício. “A operação estava em conformidade com o Direito e as práticas internacionais, sem visar nenhum país ou objetivo específico.”
Pequim não informou qual modelo de míssil foi utilizado no teste. A Marinha chinesa opera atualmente dois tipos de mísseis balísticos lançados por submarinos: o JL-2 e o JL-3. O segundo possui alcance suficiente para atingir o território continental dos EUA a partir de águas próximas à costa chinesa, segundo especialistas em armamentos.
O principal submarino lançador de mísseis balísticos da China é o Tipo 094, conhecido como classe Jin. A Marinha chinesa possui seis unidades dessa classe. Apesar do argumento de que o teste é anual, este foi o primeiro lançamento publicamente reconhecido de um míssil balístico disparado por um submarino nuclear chinês com ogiva falsa em uma distância tão extensa no Pacífico. Esta, pelo menos, foi a informação dada por Lyle Morris, pesquisador sênior do Asia Society Policy Institute, segundo a AP.
Morris considera que a divulgação da operação representa um sinal estratégico direcionado aos EUA. “O anúncio demonstra que a capacidade de dissuasão nuclear da China não está mais centrada exclusivamente em mísseis baseados em terra.”
O especialista destacou ainda que as informações disponíveis revelam que Japão, Nova Zelândia e Austrália receberam avisos prévios sobre o teste, enquanto os EUA aparentemente não foram informados.
A operação ocorreu em meio ao aumento das preocupações internacionais sobre a expansão militar chinesa. A Nova Zelândia declarou que foi comunicada poucas horas antes do lançamento e destacou que o míssil foi disparado em direção à área da Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, estabelecida pelo Tratado de Rarotonga.
O acordo proíbe armas nucleares na região. A China assinou e ratificou os Protocolos II e III do tratado em 1987. O Protocolo II trata da garantia de segurança negativa (não usar nem ameaçar usar armas nucleares contra os países da zona); o Protocolo III proíbe testes de dispositivos explosivos nucleares dentro da área abrangida pelo tratado.
O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, classificou o episódio como preocupante. “Mais cedo hoje, a China nos informou sobre seus planos de lançar um míssil balístico de longo alcance no Pacífico Sul.” Ele prosseguiu.
“A Nova Zelândia considera esse um desdobramento indesejável e preocupante. Nós, assim como nossos vizinhos de outros países do Pacífico, não temos interesse em que a China utilize o Pacífico Sul como local de testes para capacidades de mísseis.”
Peters lembrou que o lançamento trouxe novamente à discussão o teste chinês realizado em 2024, quando Pequim disparou um míssil balístico intercontinental na região. “Nós, como região, não devemos ficar de braços cruzados e permitir que tais testes se tornem normalizados ou rotineiros.”
O governo da Austrália também criticou o exercício. O teste ocorreu no mesmo dia em que o país assinou com Fiji um novo tratado de defesa mútua destinado a ampliar a cooperação diante da crescente influência chinesa no Pacífico.
“A Austrália deixou claro à China que consideramos isso desestabilizador para a região”, afirmou a ministra das Relações Exteriores australiana, Penny Wong.
O Japão foi outro país que manifestou preocupação. O Ministério da Defesa japonês relatou que as atividades militares chinesas e o aumento dos gastos de defesa de Pequim representam motivo de alerta.
“O aumento das atividades militares da China, combinado com sua falta de transparência, tornou-se uma grave preocupação para o Japão e para a comunidade internacional”, declarou o secretário-chefe do Gabinete japonês, Minoru Kihara.
China rejeita as críticas
O governo chinês rejeitou as críticas. “Esperamos que os países relevantes evitem interpretações exageradas”, afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
Nos EUA, o Departamento de Estado reiterou que a expansão nuclear chinesa representa uma preocupação crescente. O porta-voz Thomas Pigott afirmou que Washington trabalha para impedir a proliferação nuclear, enquanto Pequim estaria seguindo uma direção oposta.
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“A rápida e pouco transparente expansão das armas nucleares de Pequim é motivo de grande preocupação para a região e para o mundo.”
Ele acrescentou que os EUA continuarão pressionando a China a participar de discussões significativas sobre controle de armas e a estabelecer mecanismos regulares de comunicação sobre lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais e atividades espaciais.
Relatório do Pentágono divulgado em dezembro de 2025 declarou que o ELP considera esses testes uma “opção para operações de dissuasão nuclear de média a alta intensidade”.
A China mantém oficialmente uma política de “não primeiro uso” de armas nucleares, mas vem ampliando sua capacidade militar como parte da modernização de longo prazo do Exército de Libertação Popular.
Segundo a Nuclear Threat Initiative, a Marinha chinesa possui seis submarinos lançadores de mísseis balísticos e 59 submarinos nucleares de ataque.
O Departamento de Defesa norte-americano estimou, em relatório divulgado no fim de 2025, que a China possuía cerca de 600 ogivas nucleares em 2024 e que o país segue no caminho para ultrapassar mil ogivas até 2030.
O teste mais recente de um míssil balístico intercontinental chinês lançado em direção ao Pacífico havia ocorrido em setembro de 2024. Na ocasião Pequim disparou um DF-31B com capacidade nuclear a partir da Ilha de Hainan, no Mar do Sul da China, em direção a águas abertas próximas à Polinésia Francesa. Aquele lançamento foi o primeiro teste chinês de um míssil balístico intercontinental em oceano aberto em 44 anos.
Embora potências nucleares realizem testes desse tipo regularmente — os EUA, por exemplo, fizeram quatro lançamentos de seu míssil balístico Trident lançado por submarino em setembro passado —, especialistas consideram que a diferença no caso chinês está na ampliação da transparência sobre uma capacidade que antes permanecia mais restrita.

