Tucker Carlson, o influente comentarista de mídia conservador, disse em uma entrevista que planeja ajudar a fundar um partido político nos EUA após deixar o Partido Republicano, mas que não tem interesse em concorrer a cargos públicos.
Carlson, ex-aliado próximo do presidente Donald Trump que rompeu com os republicanos por causa da guerra no Irã, disse à Columbia Journalism Review. Ele afirma agora que vai “ajudar a construir um terceiro partido”.
“Deveria haver um esforço de boa-fé para descobrir o que beneficia o país”, disse Carlson na reportagem publicada na quarta-feira (1º).
Ele apontou seus planos em um momento de turbulência para ambos os partidos: a esquerda insurgente parece em ascensão no Partido Democrata, à medida que a base ficou irritada com a posição da liderança do partido sobre Israel desde a guerra na Faixa de Gaza. O Partido Republicano, por sua vez, foi fraturado pela condução de Trump na guerra com o Irã.
Carlson, famoso âncora de podcast e ex-apresentador da Fox News, disse no mês passado que estava deixando o Partido Republicano. Ele se descreveu em um episódio de podcast como um “defensor ferrenho” do partido por 35 anos, mas disse que acreditava que o grupo havia se distanciado dos princípios de “América Primeiro” sob Trump.
Na entrevista à Columbia Journalism Review, ele descreveu algumas das políticas que poderiam nortear seu novo partido, dizendo que apoia “acabar com toda a imigração”. Há tempos conhecido pela propensão a visões conspiratórias, Carlson disse que a imigração gera desemprego, o que é refutado por diversos economistas.
Ele também argumentou que os dois partidos não oferecem um contraste suficiente em “guerra e finanças”.
“Isso não é uma democracia”, disse Carlson à Columbia Journalism Review. “É um estado de partido único se passando por democracia, e isso precisa ser quebrado, e vai haver um terceiro partido, e vou fazer tudo o que puder para que isso aconteça.”
Carlson esteve frequentemente ao lado de Trump durante sua campanha presidencial de 2024 e o pressionou a escolher J.D. Vance, então senador de Ohio, como seu companheiro de chapa.
Mas ele rompeu abruptamente com o presidente depois que os Estados Unidos iniciaram a guerra com o Irã no final de fevereiro, declarando que Trump estava violando uma promessa central de campanha de evitar conflitos no exterior. Em abril, Carlson disse que estava “atormentado” por seu apoio passado ao presidente.
Ele afirmou à Columbia Journalism Review que não havia conversado com Trump desde o início da guerra, que foi em grande parte pausada por um frágil cessar-fogo. “Não tenho interesse em falar com ele”, disse.
No passado, o relacionamento de Carlson com Trump já viveu outros períodos turbulentos. Em uma mensagem de texto revelada por um processo de difamação movido pela Dominion Voting Systems, Carlson escreveu sobre Trump: “Eu o odeio apaixonadamente”. Carlson foi demitido da Fox News depois que a emissora concordou em pagar US$ 787,5 milhões para encerrar esse caso, que se centrava na promoção de desinformação sobre as eleições de 2020 pela rede.
Mas as críticas públicas frequentes e contundentes de Carlson a Trump desde o início da guerra levaram a especulações de que ele poderia estar se preparando para sua própria candidatura a um cargo público.
Carlson disse à Columbia Journalism Review que não está considerando a ideia e insistiu que não se vê como um concorrente de Trump.
“Não sou um político, sem dúvida”, disse Carlson à publicação. “Não sou um rival de Trump pelo poder. Não tenho poder. Sou alguém que conhece Trump, e o conheço bem, e o conheço há muito tempo.”

