Em julho de 2025, o Brasil completou 1 ano fora do Mapa da Fome da ONU, marca que indica menos de 2,5% da população em risco de subnutrição. É a segunda vez que o país alcança esse patamar, resultado de forte intersetorialidade entre políticas públicas. Mesmo sendo o menor índice da série histórica, cerca de 6,5 milhões de brasileiros ainda vivem em insegurança alimentar grave, enquanto 77% da população tem acesso regular a alimentos saudáveis.
Especialistas apontam que a saída do Mapa da Fome veio de três pilares principais: 1) redução da desigualdade com políticas de emprego e renda — menor desemprego em 13 anos e reajuste real do salário mínimo; 2) fortalecimento da proteção social, com Bolsa Família, SUS, modernização do CadÚnico em 2025 e Programa Nacional de Alimentação Escolar; 3) incentivo à produção de alimentos, especialmente da agricultura familiar via PAA, cozinhas comunitárias e Plano Brasil Sem Fome. A desaceleração dos preços dos alimentos desde 2023, com boas safras até 2025, também ajudou.
O desafio agora é tornar essas estratégias permanentes. O pesquisador Lucas Moura, da USP, criou o Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar (MUFII), que mostrou piora até 2022 e revelou que Norte e Nordeste ainda têm mais de 50% da população em insegurança multidimensional. Santa Catarina teve os melhores números; Maranhão, Acre e Amazonas, os piores. Manter o Brasil fora do Mapa depende de renda mínima, educação, saneamento, segurança pública e emprego, não só da oferta de comida.
Para o MDS, a meta é transformar alimentação adequada em direito garantido no longo prazo, incluindo quem ainda está em risco nas políticas públicas. Economistas reforçam que a continuidade depende de um mercado de trabalho favorável, sem sinais de reversão no emprego. A saída do Mapa da Fome é um marco, mas o combate à fome exige vigilância e aprimoramento constante das ações.

Resumo em tópicos:
- Conquista: Brasil completou 1 ano fora do Mapa da Fome em julho/2025, com <2,5% da população em risco de subnutrição.
- Desafio atual: 6,5 milhões ainda em insegurança alimentar grave; só 77% têm segurança alimentar plena.
- O que funcionou: Plano Brasil Sem Fome, Bolsa Família, emprego recorde, salário mínimo com ganho real, PAA, agricultura familiar, queda no preço dos alimentos.
- Próximos passos: políticas permanentes de renda, saúde, educação, saneamento; monitoramento pelo Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar; foco no Norte e Nordeste.
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