O Reino Unido interceptou, neste domingo, 14, um petroleiro ligado à chamada “frota fantasma” utilizada pela Rússia para manter suas exportações de petróleo sob sanções internacionais. A operação, que teve também a apreensão da embarcação, é inédita desde o início da guerra na Ucrânia.
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Identificado como SMYRTOS, o navio transportava mais de 100 mil toneladas de petróleo russo e navegava pelo Canal da Mancha em direção à Índia. Foi então abordado por comandos da Marinha Real britânica e agentes da Agência Nacional de Combate ao Crime (NCA).
Segundo o Ministério da Defesa, a ação foi preparada durante meses e durou cerca de seis horas. O navio foi conduzido para uma área de fundeio na costa sul da Inglaterra, próximo à região de Weymouth, onde permanecerá sob monitoramento das autoridades britânicas.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que ordenou pessoalmente a operação durante a madrugada de domingo. “Mais um dia ruim para Vladimir Putin”, declarou, em vídeo divulgado nas redes sociais. “Nas primeiras horas desta manhã, determinei que nossas Forças Armadas interceptassem um petroleiro da frota fantasma que tentava atravessar o Canal da Mancha.”
A Rússia realizava esse tipo de transporte por meio da chamada “frota fantasma”. Nela, navios são utilizados para transporte de petróleo e de outros produtos energéticos de forma a driblar as restrições dos países ocidentais desde o início da guerra na Ucrânia. Tais embarcações em geral operam com registros de conveniência, frequentes mudanças de propriedade e outras práticas que dificultam o rastreamento.
Starmer também afirmou que a apreensão representa um novo golpe contra Moscou. “Esta operação bem-sucedida impõe mais um revés à Rússia e lembra aqueles que alimentam a guerra de Putin na Ucrânia que não permitiremos que se escondam”, disse. O premiê também agradeceu aos militares e agentes de segurança envolvidos na missão.
A ação, segundo o The Guardian, recebeu elogios do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Segundo ele, os países europeus deveriam adotar medidas ainda mais duras contra esse tipo de transporte. “A Europa precisa tomar urgentemente medidas legislativas que permitam não apenas a detenção de petroleiros e restrições ao transporte de petróleo, mas também o confisco da carga transportada”, declarou o ucraniano. “Isso certamente ajudará a aproximar a paz.”
O governo britânico sustenta que o petroleiro fazia parte da estrutura paralela criada por Moscou para comercializar petróleo apesar das restrições impostas por países ocidentais após a invasão da Ucrânia. Essas embarcações costumam operar com registros de conveniência, mudanças frequentes de propriedade e outros mecanismos destinados a dificultar sua identificação e rastreamento.
Segundo Londres, esta ‘frota fantasma’ reúne cerca de 700 navios e seria responsável por transportar aproximadamente 75% das exportações russas de petróleo. As autoridades britânicas consideram essa rede uma das principais fontes de financiamento do esforço de guerra do Kremlin.
Apreensão de navio da Rússia pelo Reino Unido
Imagens divulgadas pelo Ministério da Defesa mostram comandos descendo de um helicóptero Chinook durante a operação noturna para assumir o controle da embarcação. Vídeos posteriores também registraram agentes da NCA examinando documentos e registros do navio depois da apreensão.
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O tenente-coronel Tom Quinn, responsável pela missão, informou que os 25 tripulantes presentes a bordo foram detidos sem oferecer resistência. De acordo com as autoridades britânicas, o navio navegava sob bandeira de Camarões, mas já havia sido removido do registro marítimo daquele país, situação que o deixava sem nacionalidade reconhecida.
O ministro da Defesa britânico, Dan Jarvis, que assumiu o cargo nesta semana, declarou que a medida afeta diretamente a capacidade financeira de Moscou. “A Rússia depende de sua frota fantasma para financiar o conflito na Ucrânia, e nossa intervenção representa um golpe contra a guerra ilegal de Putin.”
O procurador-geral britânico, Richard Hermer, reforçou a posição do governo ao escrever que “este governo deixou claro que perseguiria a frota fantasma da Rússia com todo o rigor do direito internacional”.
Não houve manifestação imediata do Kremlin. Entretanto, o senador russo Dmitry Rogozin sugeriu que, no futuro, navios russos poderiam ser equipados com mecanismos capazes de destruí-los caso fossem capturados por governos estrangeiros.
A operação britânica ocorreu poucos dias depois de mudanças no comando do Ministério da Defesa e amplia a pressão ocidental sobre a logística marítima utilizada pela Rússia para manter o fluxo de receitas provenientes da venda de petróleo, especialmente para mercados como Índia e China.

