O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu nesta quarta-feira (3) que o governo federal ficou surpreso com o documento divulgado pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), no qual o órgão propõe a imposição de tarifas de 25% sobre as importações brasileiras.
O chefe do Executivo destacou que não aceitará o “tratamento” que o país deu ao Brasil nesta semana.
“O que é importante vocês saberem é que estamos num momento decisivo para que a sociedade brasileira, e até parte da sociedade mundial, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país. A nossa luta para o fortalecimento do multiratelarismo. A nossa luta para que esse país não seja tratado em nenhum momento como uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os EUA deu ao Brasil essa semana”, declarou o petista durante reunião ministerial.
Em documento divulgado na noite desta terça-feira (2), o USTR também propôs a imposição de tarifas adicionais sobre produtos do Brasil e de outras 59 economias que teriam se omitido ao tomar medidas contra o comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado. A decisão dos EUA acontece um dia após o órgão de comércio do governo Trump sugerir a taxação de 25% sobre todas as importações do Brasil.
“Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos. Desde o primeiro tweet do presidente Trump, um comunicado avesso àquilo que a democracia e a civilidade exige, que um presidente telefone para o outro ou mande uma carta oficial para o outro. Fiquei sabendo da taxação pelo Twitter”, lembrou Lula sobre o tarifaço de julho de 2025.
A fala aocnteceu durante a segunda reunião ministerial de 2026, realizada nesta quarta-feira (3), no Palácio do Planalto. O encontro foi articulado antes do anúncio da possibilidade de novas tarifas, com a justificativa de “alinhamento de equipe”.
Reunião ministerial
Na reunião minsiterial desta quarta-feira (3), Lula alertou aos minsitros de Estado sobre o ajuste na comunicação do governo em relação ao tarifaço.
“Vocês não podem deixar de dizer isso: Estão tentando trair o brasil por interesses mesquinhos, com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. Não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, alguém que é capaz de vender o próprio país por interesse mesquinhos”, afirmou o presidente.
Segundo Lula, a reunião desta quarta busca alinhar a comunicação do governo em meio a possibilidade de um novo tarifaço e às vésperas do início das restrições eleitorais. O petista pediu aos ministros que “não apresentem nada novo” até fim das eleições.
“Nós temos sete meses antes de terminar o mandato. Temos até dia três de julho para fazermos todas as entregas que temos que fazer, porque depois do dia três de julho não podemos mais fazer convênios com prefeituras, com governos dos estados ou inaugurar obras”, alertou o petista.
A partir de 4 de julho, a três meses do primeiro turno das eleições, entram em vigor restrições mais rígidas previstas na legislação para evitar o uso da máquina pública em benefício de candidaturas durante o pleito.
Nesse período, agentes públicos ficam impedidos, por exemplo, de realizar determinadas formas de publicidade institucional, inaugurações com promoção pessoal e anúncios que possam influenciar o eleitorado. As regras têm como objetivo garantir maior equilíbrio na disputa eleitoral e impedir vantagens indevidas a candidatos ligados aos governos em exercício.
“É muito importante que vocês não inaugurem nada sem passar pela Casa Civil. Muitas vezes, a gente fica sabendo de coisas que são inauguradas sem a participação do ministro e a gente não sabe quem está representado o Governo Federal nas entregas. E vocês sabem como é isso na polític: Se não estiver de corpo presente, ninguém de fora vai dizer quem tá fazendo o que nesse país”, complementou Lula.

