O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (3) que o Irã “concordou em não ter armas nucleares” e que deve se encontrar com o líder supremo do país persa, Mojtaba Khamenei. As declarações foram dadas em entrevista ao podcast Pod Force One em meio a uma escalada de tensões no Oriente Médio e uma aparente estagnação nas negociações por um acordo de paz.
“Eles já concordaram que não vão ter armas nucleares“, afirmou o presidente americano, sem entrar em detalhes. Trump, que já deu declarações controversas sobre o andamento do conflito, agora em seu quarto mês, voltou a demonstrar otimismo em relação às conversas com Teerã.
“A situação está evoluindo rapidamente. Vai ser muito bom”, pontuou. O presidente também disse que ouviu que Mojtaba não estava muito bem de saúde, mas que estava participando e dando sua aprovação durante as negociações com Washington.
O líder iraniano sucedeu seu pai, Ali Khamenei, morto na primeira onda de ataques dos Estados Unidos e de Israel, em 28 de fevereiro, que desencadeou a guerra. Segundo relatos da imprensa americana, Mojtaba também foi atingido na ofensiva e está sob cuidados médicos desde então para se recuperar dos ferimentos.
“Eu gostaria de encontrá-lo. Provavelmente nos encontraremos em algum momento, dependendo de como tudo se desenrolar”, afirmou Trump. O republicano, que está sob pressão interna para encerrar o conflito devido à alta nos preços da gasolina, afirmou que a campanha militar no Irã é um “sucesso”.
“Vamos ver o que acontece. Estamos trabalhando em um acordo, e, se isso der certo, ótimo. Se não der certo, tudo bem também. Faremos isso de outra maneira”, acrescentou, sem dar detalhes do que isso significaria, embora já tenha afirmado anteriormente que os Estados Unidos retomariam os ataques.
Trump disse que estava descontente com os ataques de Israel contra o Líbano, apesar do cessar-fogo em vigor, e admitiu ter falado com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, seu aliado, em “termos agressivos”.
“Eu não diria que estava com raiva. Eu estava um pouco incomodado com o fato de ele estar constantemente lutando com o Líbano, sabe?”, contou, acrescentando que os dois têm um relacionamento muito bom.
Em paralelo, as tensões escalam na região do Golfo. Um ataque iraniano que teve como alvo instalações civis no Kuwait, aliado dos EUA, matou uma pessoa nesta quarta, segundo autoridades. Em resposta, forças americanas realizaram ataques na ilha de Qeshm.
Na véspera, o chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio, negou que as negociações com o Irã tenham parado. A declaração, dada em audiência no Senado, ocorreu um dia após a agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, noticiar que Teerã havia interrompido as conversas indiretas com Washington devido aos recentes ataques de Israel contra o Líbano.

