Líder indígena morre na Nicarágua depois de 3 anos preso por Ortega

Complicações de saúde decorrentes de uma infecção bacteriana associada à covid-19 resultaram na morte do líder indígena Brooklyn Rivera, que estava preso havia quase três anos na Nicarágua. Autoridades locais divulgaram o comunicado oficial sobre o falecimento, neste domingo, 31.

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Rivera, de 73 anos, ex-deputado e representante do povo miskito, havia sido detido em setembro de 2023 pelo regime de Daniel Ortega. O político é alvo frequente de denúncias de autoritarismo. O indígena, por sua vez, comandava o partido Yatama, voltado à defesa dos direitos das comunidades indígenas do país.

Prisão e repercussão internacional

As razões para a prisão de Rivera não foram divulgadas publicamente, mas, segundo relatos, o regime informou à Organização das Nações Unidas (ONU), em novembro de 2024, a retirada de sua imunidade parlamentar para investigar crimes graves, entre eles traição. A Anistia Internacional considerava Rivera um prisioneiro de consciência.

O Ministério da Saúde nicaraguense detalhou que houve “deterioração física e neurológica” do paciente, ligada à infecção. Afirmou, ainda, que médicos realizaram “esforços enormes e intensivos” para salvá-lo. Na semana passada, o regime divulgou imagens de Rivera debilitado e conectado a um respirador, ao reconhecer seu estado crítico.

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Depois da publicação dessas imagens, os Estados Unidos solicitaram a libertação do líder indígena. A filha dele, Tininiska Rivera, atualmente no exílio, pediu que o corpo seja entregue à família para rituais de acordo com a tradição miskita e negou a presença de parentes com o pai no momento da morte, contrariando a versão oficial.

Contexto do regime Ortega

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Daniel Ortega, ditador da Nicarágua | Foto: Divulgação/Presidência da Nicarágua

Daniel Ortega, que já foi líder revolucionário, governa o país desde 2007 e foi reeleito três vezes em eleições questionadas internacionalmente. O governo dos Estados Unidos classifica a gestão como ditadura e acusa Ortega de centralizar o poder e reprimir adversários, levando a sanções de Washington e da União Europeia.

Como consequência desse contexto político, milhares de nicaraguenses deixaram o país, muitos depois da prisão de centenas de opositores e a revogação de cidadanias.

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