dinheiro público banca viagem de servidores

O contribuinte brasileiro vai bancar as passagens e diárias de pelo menos 135 autoridades e funcionários públicos para o Fórum de Lisboa, em Portugal, evento também conhecido como “Gilmarpalooza”. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, que identificou os avais em diários oficiais e páginas da transparência. O evento comandado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), começa nesta segunda-feira, 1º, e atrai dezenas de políticos e juízes para encontros sociais fora dos debates oficiais.

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Apenas o Tribunal de Justiça do Piauí e o Tribunal de Contas da União (TCU) vão queimar R$ 692 mil juntos com o pagamento de diárias internacionais para os seus servidores. A Corte piauiense aprovou o envio de uma comitiva com 13 integrantes e reservou R$ 392 mil para as despesas na Europa. O TCU também autorizou a ida de 13 representantes, incluindo quatro ministros, gastando R$ 300 mil dos cofres públicos para a viagem.

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), garantiu vaga de palestrante e levou uma comitiva de oito pessoas para Lisboa. A primeira-dama do Estado, Karynne Sotero Campos, viajou com os bilhetes aéreos pagos pelo governo local. A gestão tocantinense escondeu o valor total gasto com as hospedagens e alegou que o passeio serve para apresentar o potencial de negócios da região no exterior.

A Advocacia-Geral da União lidera o ranking de servidores liberados na Esplanada, com 22 autorizações de viagem emitidas para o evento. Pelo menos quatro senadores já pediram dispensa dos trabalhos em Brasília sob a justificativa de missão oficial internacional. O ex-presidente Michel Temer também garantiu o embarque de dois seguranças particulares bancados pelo Estado para acompanhá-lo no território português.

Gilmar Mendes fez convites diretos para acalmar os bastidores

O próprio ministro Gilmar Mendes telefonou para magistrados nos últimos dias para reforçar os convites. O decano tentou blindar o fórum do esvaziamento político depois de o escândalo do Banco Master e as cobranças de ética feitas pelo presidente do STF, Edson Fachin, azedarem o clima no Judiciário. Em entrevista dada à Folha, Gilmar rebateu as críticas sobre o custo do encontro fora do país e chamou os opositores de ingênuos.

A organização do Fórum de Lisboa defendeu o caráter estritamente acadêmico do simpósio internacional. Em nota, a direção do “Gilmarpalooza” declarou que o debate científico atende aos princípios da administração pública e que cada repartição governamental possui independência para decidir sobre o uso das verbas de viagem. A Câmara dos Deputados e os ministérios do governo federal ainda não divulgaram a lista de parlamentares e assessores escalados para o passeio.

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