RS: Prefeitura de Santa Maria ocultou documentos sobre boate

A boate Kiss, onde mais de 230 jovens morreram em um incêndio, funcionava normalmente com a licença vencida (Foto: Renan Antunes de Oliveira/UOL)

Uma denúncia anônima sobre “sonegação” de provas, três semanas após o incêndio da boate Kiss, levou a Polícia Civil e o Ministério Público a encontrarem nos arquivos da Prefeitura de Santa Maria (RS) uma caixa até então desconhecida com uma série de documentos da casa noturna. A caixa continha um ofício que é considerado pelos delegados como o “mais importante” entre os papéis obtidos. O arquivo trazia a informação de que, em 2009, um arquiteto da prefeitura apontou quase 30 falhas de estrutura que deveriam ser corrigidas na boate. Ainda assim, diz a polícia, o poder municipal concedeu licenças para a boate.

A informação está no relatório do inquérito policial sobre a tragédia, que matou 241 pessoas em janeiro. A investigação foi concluída na sexta-feira e agora está sob análise da Promotoria. O relatório da polícia diz que foi “digna de nota” a dificuldade de obter todos os papéis no município. Segundo o inquérito, dois dias depois do incêndio, a polícia judiciária intimou a prefeitura a encaminhar aos investigadores “todos” os documentos relativos à boate. No entanto, diz a polícia, a íntegra só foi obtida com a denúncia anônima.

Segundo a Polícia, o denunciante forneceu informação verossímil, que acabou sendo confirmada na busca. Os delegados, porém, não responsabilizaram nenhum agente público.

Diário do Nordeste

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