PT em Milagres–CE: Reeleição de Aglaísio Lima com desafios; entenda

Em Milagres, no Ceará, o Partido dos Trabalhadores (PT) realizou neste domingo (06/07) o PED (Processo de Eleição Direta), reconduzindo Aglaísio Lima à presidência municipal da sigla. Apesar da vitória com 272 votos, o processo contou com apenas 273 votantes, um número considerado baixo diante de um passado em que o partido chegou a ter quase 600 filiados ativos.

A eleição de chapa única levantou questionamentos nos bastidores. Críticos apontam que a baixa mobilização, o desinteresse de parte da militância e a ausência de nomes tradicionais revelam a fragilidade atual do partido no município. Já os mais otimistas interpretam o resultado como uma demonstração de confiança na condução de Aglaísio e acreditam que o PT pode se reestruturar e retomar força política.

A crise interna do partido, na verdade, não é recente. Desde as eleições de 2020, o PT de Milagres tem enfrentado divisões. Parte dos petistas não apoiou o então candidato a prefeito Abraão Sampaio (Solidariedade), mesmo com Jorge Henrique, filiado ao PT, como vice na chapa. A campanha tentou vincular a imagem do PT ao grupo de Abraão, utilizando o vermelho como destaque, em contraste com as cores oficiais do Solidariedade (azul, laranja e branco). A estratégia, no entanto, não impediu a derrota da chapa para Anderson Eugênio e Elisângela Crisóstomo — que, ironicamente, também contaram com apoio de petistas dissidentes.

Atualmente, chegou-se a cogitar que lideranças ligadas à situação tomariam o controle do partido, mas a articulação não avançou. Agora, a direção local busca reconstruir a sigla. Fala-se, inclusive, na possível filiação do ex-vereador Uberlândio Moura, como parte do esforço de renovação.

Já o nome mais cotado da oposição (no momento) para as próximas eleições, o médico Dr. Abraão, segue filiado ao Solidariedade, mas há rumores de que ele pode mudar de partido para fortalecer sua articulação. Alguns acreditam que ele permanece onde está justamente para manter o PT sem espaço, com olho nas futuras composições políticas.

Resta a pergunta: o PT de Milagres ainda tem fôlego para disputar competitivamente as próximas eleições?

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