
Os números sorteados no último concurso da Mega-Sena geraram teorias da conspiração em função de uma semelhança entre eles: todos fazem parte de uma mesma dezena, a 50. Foi a primeira vez que isso aconteceu, o que deu margem para teorias a respeito da loteria. Nas redes sociais, algumas pessoas chegaram a classificar o sorteio como fraude, roubo e até viram o fato como sinal de corrupção. Mas era possível que as bolas escolhidas fossem 50 – 51 – 56 – 57 – 58 – 59, como aconteceu no sábado (23).
As sessenta dezenas da Mega geram mais de 50 milhões de possibilidades –são precisamente 50.063.860 combinações possíveis. Delas, apenas uma garante o prêmio no concurso. No sábado, quatro apostas –um bolão em Salvador, e jogos individuais em Canoas (RS), Maranguape (CE) e Marabá (PA)– dividiram mais de R$ 38,5 milhões.
“Existe uma diferença entre improvável e impossível”, pontua o professor Waldeck Schutzer, chefe do Departamento de Matemática da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos).
“Essa sequência de números não é improvável nem impossível”. Segundo o matemático, só seria impossível sair esses números se 50, 51, 56, 57, 58 nem 59 estivessem entre as dezenas possíveis de serem sorteadas.
[ads1] Uma sequência impossível, ainda de acordo com ele, seria uma com o número 61, por exemplo, já que não está entre 1 e 60. Como a combinação sorteada não é impossível, consequentemente, também não é improvável, afirma o matemático.
“Todas as combinações têm a mesma probabilidade”, pontua Schutzer, que atribuiu a estranheza de alguns sobre o concurso à falta de conhecimento de algumas pessoas sobre teorias de probabilidade. “O conhecimento que as pessoas têm sobre probabilidade é muito pouco e insuficiente”.
Questionada sobre os comentários postados nas redes sociais, a assessoria de imprensa da Caixa não respondeu até o momento.
Escolha
Escolher números tão próximos um do outro pode ter sido uma opção do próprio apostador ou então da própria máquina de apostas da Caixa, que faz a combinação o quando o jogador não quer determiná-la, a chamada aposta “surpresinha”.
Tanto é possível escolher esses “números polêmicos” que 152 apostas fizeram a quina, ou seja, tinham cinco das seis dezenas sorteadas. Outros 4.816 jogos acertaram a quadra, com quatro dos seis números.
Nos últimos anos, a reportagem tem levantado quais foram as dezenas mais sorteadas na Mega. Em cada uma das ocasiões, matemáticos sempre apontaram que a chance de cada dezena sair é a mesma.
“Qualquer um dos 60 números da Mega tem a mesma possibilidade de ser sorteado. O processo não guarda memória do passado. Não adianta pensar que ‘esse número saiu mais'”, diz o professor do Departamento de Matemática do Centro Universitário FEI Fábio Gerab. Dos números do último sábado, o 57 foi o que mais saiu no ano passado: 14 vezes.
Para o professor de matemática da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Gilcione Nonato Costa, o melhor mesmo é nem chegar perto de uma lotérica. “Minha dica é cruel: é não jogar”, diz. “A probabilidade de acertar é quase nula”.
Auditoria
Em 2016, o UOL já havia questionado a Caixa a respeito da desconfiança de fraude na Mega. A reportagem acompanhou um sorteio da modalidade lotérica para conhecer o sistema de auditoria.
Um dos principais alvos de dúvidas de alguns é com relação às bolas numeradas. Elas, que possuem o mesmo peso, de acordo com medições periódicas do Inmetro [Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia], são colocadas nos globos de sorteio na frente do público. Pessoas da plateia liberam as bolas, que, por fim, formam a combinação.
Além de auditores no local, uma equipe da Caixa em Brasília monitora o sorteio, não importa o local do país em que ele aconteça.
Como polêmica ou não envolvendo os números do último concurso, a Mega volta a ser sorteada na próxima quarta-feira (27), com prêmio estimado em R$ 2,5 milhões.
UOL

