
O sítio Cajuí, localizado na cidade de Milagres-CE será cenário de mais um curta metragem de Jaildo Oliveira. Após produzir e dirigir o filme A PROMESSA, em 2012, baseado na história O Presente Sobrenatural, do escritor e juiz Flávio Morais, o jovem formado em Artes Visuais, está dirigindo seu mais novo trabalho, O VALOR DO TESOURO PERDIDO. O filme conta a estória de Manuel um agricultor, casado com Toinha e pai de quatro filhos. Ele vivencia um momento difícil e delicado, tanto pela sua condição financeira, quanto por ter sua vida ameaçada em virtude de uma dívida com um rico fazendeiro da região. Certo dia, surge a oportunidade que pode ser a solução para sanar sua dívida, no entanto, o pior acontece e ele perde o bem mais precioso que possui.
[ads1] A estória tem como inspiração os contos populares sobre botijas narrados pelos mais velhos e baseados em depoimentos de alguns moradores do sítio que contaram sobre suas aventuras, traquinagens e experiências vividas durante a infância. Sendo assim, o contexto histórico do filme abrange o período em que o nordeste brasileiro experimentou o fenômeno conhecido como “cangaço”. Nesta época, os moradores costumavam enterrar seus objetos de valor (dinheiro, joias etc.) próximos a suas residências com medo de serem saqueados pelos cangaceiros. Deste modo, alguns acabavam esquecendo ou falecendo sem resgatar estes pertences que, segundo reza a tradição oral, se encantavam.

Jaildo Oliveira que nos últimos anos vem se dedicando a linguagem audiovisual, busca inspiração na produção cinematográfica do cineasta Rosemberg Cariry e nos contos populares escritos por Flávio Morais no início da sua trajetória. Ele afirma que guarda alguns segredos em relação ao enredo do filme. A novidade é que o roteiro escrito por ele e seu amigo Luka Severo, que está na preparação dos atores, não foi disponibilizado na íntegra para a equipe. Os atores só têm acesso as cenas que cada um irá gravar poucos dias antes das filmagens. Isso gera curiosidade no elenco, uma vez que as cenas estão sendo gravadas aleatoriamente, não seguindo a ordem cronológica da narrativa. Sendo assim, a estória completa só será conhecida no dia da estreia. Enquanto isso não acontece, as pessoas vão dando seus palpites sobre o que irá ocorrer com os personagens.
Este trabalho está sendo desenvolvido com a colaboração dos moradores da comunidade de Cajuí que acabam por realizar não somente a função de atores, mas também ajudam na parte técnica das gravações das cenas. Jaildo costuma envolver toda a sua família na hora de fazer o filme. Teve o auxílio do seu pai José Duca e da sua mãe Dolores na construção de cenário da casinha de taipa, feita exclusivamente para narrar esta estória. Conta com a ajuda de sua irmã Daliane e suas primas Marlene e Ana Caroline Bezerra na produção, além do elenco formado por primos, tios e amigos. O elenco principal conta com a participação de Tonho Bezerra (Manuel), Corrinha Sampaio (Toinha), Érica Bezerra (Severina), Lucas Sampaio (João), Sarah Bezerra (Sebastiana) e Davi Bezerra (Joaquim). Além de seus familiares, outras pessoas também foram convidadas a integrar esta equipe, a produtora Cheyenne Alencar (que participou dos filmes “Alone” (2014) e “Os Olhos de Alice” (2017)) e das atrizes Joaquina Carlos (atriz com vasta experiência no teatro do Cariri), Betânia Lopes e Erlândia Benevides. Ambas ultimamente citadas, tiveram participação na novela da Rede Globo Velho Chico (2016).

As gravações começaram no início do mês de novembro do ano em curso e devem se estender até o próximo ano. Por ser um filme que retrata uma época específica (primeiras décadas do século XX), o trabalho deve ser minucioso e cada detalhe deve ser considerado. Foram necessários a confecção de figurinos e a aquisição de objetos de cenas, assim como uma pesquisa histórica, referencias de filmes e conversas com os idosos para saber sobre os modos e os costumes próprios do período em que se passa a trama.
Jaildo vem desenvolvendo o trabalho de modo independente, contando apenas com o apoio da comunidade do Cajuí e de amigos. Atualmente, mora em Juazeiro do Norte e é professor de Artes da rede estadual de ensino. Já realizou alguns curtas-metragens como: “O Mundo Interior” (2010), “A Promessa” (2012), “A Coroa de Vidro” (2017), este último com a participação do ator Miguel Nader e o técnico em efeitos especiais da Rede Globo, Bellamir Freire. Ano passado lançou o documentário “Engenho de Memórias” (2016) e os vídeoclipes “Centenário do Engenho” (2016) e “Imaculada” (2017). Trabalha como operador câmera e editor de vídeos da websérie “Ser Famosa a Qualquer Custo” (2016-17). Além disso, ele faz parte da equipe do filme sobre “A História Lendária de Milagres” juntamente com Luciana Campos e Lucivânia Verônica que no momento também vem sendo trabalhado e em breve, a população milagrense poderá apreciar.

