MILAGRES: Um mês após a tragédia, população ainda sofre as consequências

A população reclama, especialmente, dos buracos que dificultam o acesso as residências (Fotos: Klébio Leite/Agência OKariri)

Agência OKariri, por Klébio Leite

Neste domingo completou-se um mês da tragédia que assolou a sede do município de Milagres/CE na madrugada do dia 5 de abril. Naquela oportunidade, uma chuva de 103 milímetros, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), banhou a cidade provocando o transbordamento de um açude localizado acima do Bairro Francisca do Socorro, trazendo como conseqüência a inundação de diversas casas e ruas.

Além das percas materiais das famílias e o cenário de destruição deixada pela chuva, o fato lamentável foi a morte do jovem Antônio José Luciano, 22 anos, que, diante da intensidade da chuva e da água que arrastava móveis e objetos das residências, ficou preocupado com a irmã grávida, que também mora na região, e foi visitá-la por volta de 4h30 da madrugada. No meio do caminho, entre as ruas João Fechine e Padre Cícero, o jovem, porém, acabou caindo e ficando preso pelas pernas em um bueiro. No local, o nível da água estava ultrapassando um metro no local e o encobriu. Por volta das 5h00 o corpo foi encontrado e resgatado por populares preso em um bueiro na Rua Padre Cícero.

De acordo com a Secretaria da Assistência Social, Trabalho e Cidadania, cerca de 80 famílias ficaram desabrigadas e/ou desalojadas. Uma grande campanha de solidariedade tomou conta de Milagres e cidades vizinhas, a qual arrecadou toneladas de donativos, como alimentos, roupas e colchões. Quanto a recuperação dos estragos, o Prefeito Municipal, Hellosman Sampaio de Lacerda, diz ser necessário recursos na ordem de R$ 1,75 milhões.

VISITA – Neste domingo (5) a reportagem do Portal OKariri visitou os bairros mais atingidos para constatar a realidade trinta dias após o ocorrido. Muitos moradores ainda estão assustados e contam os momentos de desespero os quais passaram. É o caso da dona de casa Maria Frandeiro que há 40 anos reside na área. “Eu gritei tanto por Deus que Ele me acudiu. Desde este dia que me deu uma tontura do medo que passei. O lixo levou cadeira, panelas, a minha estante está quebrada. A televisão, que eu só tinha ela, entrou água”, disse lamentando-se.

Outros moradores estão realizando, por conta própria, os trabalhos de reparos para terem acesso às residências, conforme nos contou o agricultor José Aleixo. “Nós estamos aterrando os buracos, comprando material e aterrando. Nós esperamos até agora e não chegou ninguém. Um vizinho já caiu de moto em um dos buracos. Um dos buracos tinha um metro de profundidade e nós aterramos”, observou. Ele também denunciou a presença de larva do mosquito da dengue na região.

Além dos transtornos para as famílias, a chuva, a inundação e os buracos estão causando prejuízo também aos comerciantes da área. É o caso de Ivan Gás que está impossibilitado de receber as mercadorias em seu comércio, devido não haver acesso. Ele disse que a população está isolada há trinta dias. “O mais complicado é receber a mercadoria, pois os caminhões ficam lá no centro, já que não têm acesso para chegar ao nosso comércio. Então, é preciso que a gente largue tudo, pegue um carro e vá buscar a mercadoria”, contou.

Ivan Gás quer uma solução rápida para o problema. “Estamos aguardando alguma atitude, que alguma coisa seja feita, pelo menos no sentido de liberar o acesso para a gente ser atendido, ou então, que seja liberado para a gente mesmo fazer a manutenção”, falou.

Obs.: Para ouvir os áudios abaixo, desligue o player, na cor preto, da OKariri Rádio Web, localizado na parte de baixo do lado direito de seu computador.

Ouça no player abaixo a entrevista que a moradora Maria Frandeiro concedeu ao Portal OKariri.

Maria Frandeiro by PortalOKariri

Ouça no player abaixo a entrevista que o agricultor José Aleixo concedeu ao Portal OKariri.

José Aleixo by PortalOKariri

Ouça no player abaixo a entrevista que o comerciante Ivan Gás concedeu ao Portal OKariri.

Ivan Gás by PortalOKariri

Veja vídeo das ruas produzido neste domingo (5), trinta dias após a tragédia.

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Veja fotos das ruas produzidas neste domingo (5), trinta dias após a tragédia

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  1. Se a Administração atual se preocupasse com a população e a cidade esse problema já estaria resolvido. QUAL A SOLUÇÃO? Votar no 15 daqui a 4 anos!!! Vota no 15.

  2. Se a população de Milagres soubesse da satisfação, da Administração atual,está com os resultados da ultima eleição, não falaria, não se lamentaria da situação das ruas. Porque todos são conscientes dos 24 anos de DITADURA que esse esse "Zé Povinho" vivem submetidos. A população da sede do município nunca aceitou, mais a zona rural continua mergulhada nesse charco fétido, podre chamada Helosman.

  3. Na Democracia, não existe qualquer sinal de moderação, ela deve ser exercida em toda sua plenitude, com todas suas variantes. Mais acredito que o povo daí, um dia não acordará deste sono a base de calmantes. Figueiredo nelles!!!

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