Países da América do Sul assinam acordo contra crime organizado

Ministros das Relações Exteriores e autoridades de segurança de Argentina, Bolívia, Chile, Equador e Peru firmaram nesta quinta-feira, 28, em Santiago, um acordo regional para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado transnacional, ao narcotráfico e à migração irregular.

O encontro terminou com a assinatura do “Compromisso Regional de Santiago contra o Crime Organizado Transnacional”, documento que prevê a criação de um grupo técnico-operacional encarregado de elaborar um plano de ação conjunto com medidas “concretas, mensuráveis e verificáveis”.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias do Mundo em Oeste

Segundo o texto divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do Equador, o acordo busca fortalecer a coordenação regional diante de ameaças à segurança, à estabilidade institucional e ao desenvolvimento dos países da região. O documento também menciona o uso de plataformas virtuais, sistemas financeiros e redes logísticas por organizações criminosas para expandir atividades ilícitas.

Durante a cúpula, o presidente do Chile, José Antonio Kast, afirmou que os países participantes estão “cansados de ver o crime organizado matar nossos jovens, subjugar nossos bairros e comprar nossos apoiadores”.

O chanceler chileno, Francisco Pérez Mackenna, declarou que “o crime organizado se tornou uma das principais ameaças à governança, à segurança dos indivíduos, à estabilidade institucional e ao desenvolvimento de nossos países”. Segundo ele, “os esforços nacionais são insuficientes e devem ser complementados por maior cooperação política e compartilhamento de informações”.

O acordo estabelece cooperação em áreas como inteligência financeira e tributária, controle migratório e fronteiriço, rastreabilidade, combate à corrupção e integridade institucional. Os países signatários também decidiram criar mecanismos de coordenação para enfrentar organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais.

De acordo com Pérez Mackenna, os representantes voltarão a se reunir em até 180 dias para avaliar o avanço das medidas. O Chile pretende apresentar os resultados na próxima Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos, com o objetivo de ampliar a adesão de outros países do continente.

O documento foi assinado pelos chanceleres Pablo Quirno, da Argentina; Fernando Aramayo, da Bolívia; Carlos Pareja, do Peru; e Gabriela Sommerfeld, do Equador, além de autoridades chilenas.

Crime organizado preocupa governos sul-americanos

A reunião ocorre em meio ao aumento da preocupação regional com a criminalidade organizada. No Peru, 196 homicídios foram registrados apenas em fevereiro, e a segurança pública se tornou um dos principais temas do debate político nacional.

No Equador, o governo anunciou operações conjuntas com os Estados Unidos contra grupos criminosos classificados como terroristas. A Argentina também firmou acordos de cooperação semelhantes com Washington.

O encontro em Santiago também ocorreu em um momento de pressão interna sobre o governo Kast. A administração chilena enfrenta críticas por ainda não apresentar um plano de segurança próprio, uma das principais promessas de campanha do presidente. A ex-ministra da Segurança Pública Trinidad Steinert deixou o cargo menos de três meses depois da posse do governo.

O atual ministro da Segurança do Chile, Martín Arraú, defendeu a estratégia em vigor. “O primeiro passo é que haja uma política nacional de segurança pública. Essa política está em vigor; foi promulgada pelo presidente Boric, tem duração de seis anos, e acreditamos que ela é suficiente”, afirmou em entrevista coletiva na última segunda-feira, 25.

Leia também: “A Colômbia e um continente que não mudam“, artigo de Flávio Gordon

Veja a matéria completa aqui!

- Publicidade - spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui