ONU pede retirada de 6.000 marinheiros presos no estreito de Hormuz

O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, pediu medidas urgentes para remediar a situação de milhares de marinheiros presos na guerra no Oriente Médio, informou sua porta-voz, Shabia Mantoo.

A Organização Marítima Internacional afirmou que há pelo menos 6.000 marinheiros em centenas de embarcações que estão retidos no estreito, impossibilitados de serem retirados durante o cessar-fogo. Muitos outros continuam desaparecidos.

Turk instou os Estados, os proprietários de navios e todos os demais atores relevantes a “garantir com urgência a proteção dos marinheiros retidos”, inclusive por meio de assistência consular e fornecimento de suprimentos essenciais, “e facilitando as retiradas e repatriações”, disse Mantoo em uma entrevista coletiva.

“As partes envolvidas no conflito devem trabalhar com urgência para facilitar a passagem segura das pessoas retidos, a fim de que possam ser evacuadas e desembarcar com segurança, bem como garantir a entrega de suprimentos essenciais”, acrescentou Mantoo.

A guerra, que eclodiu no final de fevereiro, recomeçou este mês após um cessar-fogo que durou apenas algumas semanas, mergulhando a região novamente no caos enquanto o Irã e os Estados Unidos disputam o controle do estreito de Hormuz.

As Forças Armadas dos EUA insistem que a via navegável estratégica —pela qual passava um quinto do petróleo mundial antes da guerra— está “aberta ao tráfego” depois que o Irã prosseguiu com ataques a petroleiros que utilizavam a rota, numa tentativa de coagi-los a pagar pela passagem segura.

“Ataques contra embarcações civis são inaceitáveis e devem cessar. Elas estão protegidas pelo direito internacional humanitário”, afirmou Mantoo.

“Os marinheiros continuam expostos a hostilidades à medida que os ataques mortais no estreito persistem —enfrentando riscos iminentes de morte ou ferimentos”, disse a porta-voz, acrescentando que 17 dessas pessoas foram declaradas mortas desde que o conflito eclodiu no final de fevereiro.

O escritório de direitos humanos da ONU informou que alguns marinheiros foram abandonados no mar por proprietários de navios que os deixaram sem apoio, repatriação e salários, incluindo pelo menos nove navios com 93 tripulantes.

“Os marinheiros foram deixados em seus navios à própria sorte, sem comida, água, combustível, atendimento médico, eletricidade ou meios para se comunicar com suas famílias”, disse Mantoo.

Turk também expressou preocupação com os marinheiros em outras zonas de conflito, notadamente no mar de Azov e no mar Negro, em consequência da guerra da Rússia na Ucrânia. As empresas de navegação suspenderam os serviços para os portos ucranianos do mar Negro após os crescentes ataques russos à costa.

O escritório de direitos humanos da ONU informou ter verificado pelo menos quatro ataques a embarcações civis na região de Odessa neste mês, nos quais 34 trabalhadores de embarcações foram mortos ou ficaram feridos.

A Ucrânia é uma grande exportadora de commodities, sendo que 90% delas passam pelos portos do mar Negro em Odessa e arredores.

“Os marinheiros não devem ser forçados ou obrigados a colocar suas vidas em risco navegando por zonas de conflito. Tampouco devem correr o risco de sofrer represálias por parte dos proprietários caso recusem essas missões”, afirmou Mantoo.

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