o real e o fictício

Enquanto os autodenominados ativistas humanitários seguem mobilizando flotilhas e manifestações em nome de Gaza, um tema muito mais grave permanece praticamente ausente do debate público: o abuso sexual e moral da população civil por membros do Hamas.

As denúncias vêm sendo apresentadas pela Jusoor News (“jusoor” significa dissidente), uma plataforma árabe independente baseada nos Estados Unidos. Trata-se da única iniciativa do gênero, com correspondentes independentes atuando em lugares como Síria, Iraque e Gaza. Neste último, os colaboradores trabalham clandestinamente, devido ao controle rígido exercido pelo Hamas sobre a circulação de informações do enclave.

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Os repórteres vêm colhendo depoimentos de mulheres e crianças pressionadas a se submeter a exploração sexual em troca de alimentos, suprimentos básicos ou serviços. Há também vários relatos de homens que testemunharam os abusos, mas foram obrigados por seus superiores a manter silêncio.

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Em alguns casos, a Jusoor News consegue até mesmo registrar entrevistas em vídeo. Muitas das vítimas são mães, filhas ou viúvas de integrantes do Hamas mortos durante a guerra.

“Infelizmente, há muitos casos. O abuso está muito disseminado”, afirmou um dos jornalistas palestinos envolvidos no trabalho, em reportagem publicada pelo Daily Mail. Assim, as acusações nunca comprovadas sobre fome ou genocídio mantêm-se nos noticiários, enquanto os abusos reais passam desapercebidos.

Toda atenção à ideologia, zero ao sofrimento real em Gaza

O trabalho da Jusoor News começou recentemente a receber atenção de alguns poucos veículos internacionais de menor projeção. O tema permanece praticamente ausente da cobertura dominante sobre Gaza e também entre organizações e ativistas que alegam atuar em defesa da população civil palestina.

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Enquanto isso, novas flotilhas seguem em sua campanha ficcional contra Israel. Os barcos vão e vêm, em uma movimentação que se tornou rotineira. Elas são sempre apresentadas como iniciativas humanitárias e, em seguida, desmascaradas pelo que são: ações de provocação política destinadas a agravar o desgaste internacional de Israel.

A última flotilha foi manchetes em função de eventos ocorridos depois da interceptação dos barcos por Israel: no retorno dos ativistas à Turquia — país patrocinador desta empreitada — e depois nos aeroportos da Espanha e da Grécia.

Do sofrimento encenado ao verdadeiro

Os ativistas da flotilha turca foram filmados enquanto caminhavam pelo aeroporto Ben Gurion, em Israel. Mostravam-se animados e faziam sinais descontraídos para agentes de segurança israelenses que os filmavam. Ao desembarcarem na Turquia, porém, seu comportamento mudou completamente: eles foram retirados em macas e cadeiras de rodas, exibindo ferimentos que, alegaram, eram resultados de torturas sofridas em Israel.

Aqui é possível assistir à encenação mais “dramática”:

Já nos aeroportos da Espanha e da Grécia, os recém-chegados tentaram transformar os saguões de desembarque em palcos de protesto. Recusaram-se a obedecer às ordens policiais para dispersão, e o embate terminou em espancamentos e prisões.

Estes episódios deixam transparecer que aos governos europeus resta pouca paciência desse tipo de mobilização, a exemplo de países como Alemanha, Áustria e Itália.

Enquanto isso, as denúncias de abuso da população palestina contra o Hamas recebe atenção mínima da mídia. Noticiá-lo seria, certamente, um sinal de respeito da imprensa em relação ao povo palestino. Para os participantes das flotilhas, engajar-se em seu combate demonstraria uma intenção verdadeira de diminuir o sofrimento do povo palestino — caso fosse esse o seu objetivo.

Leia também: “Nunca devemos esquecer a traição progressista aos reféns israelenses”, artigo de Brendan O’Neill, da Spiked, publicado na Edição 292 da Revista Oeste

E mais: “Racismo declarado”, por Eliziário Goulart Rocha

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