Moradores fogem de subúrbio de Beirute após ordem de ataque de Israel; veja vídeo

Moradores começaram a fugir do subúrbio ao sul de Beirute conhecido como Dahieh, nesta segunda-feira (1º) após as Forças Armadas de Israel emitirem novamente ordens de retirada para os habitantes da área, de maioria muçulmana xiita e controlada pelo Hezbollah.

“Se o Hezbollah continuar a atirar em direção às nossas cidades e comunidades, as Forças de Defesa de Israel (IDF) vão continuar a responder atingindo alvos terroristas em Dahieh”, afirmou o porta-voz em árabe das IDF, Avichay Adraee. “Israel não está em guerra com o povo do Líbano, mas com a organização terrorista Hezbollah.”

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, havia anunciado mais cedo a ordem para que o Exército atacasse o l ocal na capital do Líbano. “Não haverá situação em que o Hezbollah ataque nossas cidades e nossos cidadãos, e seu quartel-general terrorista em Beirute, em Dahieh, permaneça intocado”, disse Netanyahu em um comunicado em vídeo.

O premiê afirmou ainda que Israel está aprofundando suas operações terrestres no país vizinho, onde tropas israelenses ocupam uma zona-tampão no sul com o objetivo declarado de proteger o norte de Israel dos ataques da facção xiita apoiada pelo Irã.

“Esta é a terceira vez desde o cessar-fogo que estamos indo de um lugar para outro”, disse à agência Reuters Naji Musulmani, 61, dirigindo uma caminhonete cheia de colchões pelas ruas congestionadas de Beirute, deixando os subúrbios ao sul. Ele já havia fugido do sul do país nos últimos dias e afirmou que seguiria para a cidade de Trípoli, no norte do Líbano.

Netanyahu e o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ordenaram ataques a “alvos terroristas” nos subúrbios ao sul da capital libanesa após o que chamaram de repetidas violações do cessar-fogo pelo Hezbollah e “ataques contra nossas cidades e cidadãos”.

Há um apenas teórico cessar-fogo em vigor entre os dois países desde o dia 17 de abril, anunciado pelos Estados Unidos, que faz a mediação. Os ataques de lado a lado, além de operações terrestres israelenses, no entanto, nunca cessaram por completo nesse período e, ao contrário, aumentou nos últimos dias de maio.

Israel tem ampliado suas operações e o alcance das ordens de retirada de civis, ultrapassando o marco simbólico do rio Litani e atingindo cidades maiores e até então relativamente poupadas de ataques no sul do país árabe, como Tiro e Nabatieh.

Neste fim de semana, tropas israelenses capturaram o castelo de Beaufort, no sul do Líbano. A fortaleza de 900 anos, construída durante as Cruzadas, é tão estratégica quanto simbólica.

Por ser o ponto mais elevado na região, permite a observação de grande parte do sul do Líbano e do norte de Israel, de onde ataques têm sido zlançados contra áreas residenciais israelenses próximas à fronteira. O castelo também já foi ocupado por 18 anos por Israel, de 1982 a 2000, e se tornou um marco da invasão no Líbano à época.

O Hezbollah, estabelecido pela Guarda Revolucionária do Irã em 1982, disse que seus combatentes dispararam uma salva de foguetes contra infraestrutura militar israelense na cidade de Tiberíades à 1h da manhã de segunda-feira, entre outros ataques que, segundo o grupo, foram em resposta a violações israelenses do cessar-fogo.

O ministro da Defesa israelense disse que não haveria calmaria em Beirute se não houvesse calmaria no norte de Israel.

Autoridades libanesas afirmam que mais de 3.400 pessoas foram mortas no país como resultado de ataques israelenses desde 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo contra Israel em apoio ao Irã, que estava sob ataque dos EUA e de Israel. Israel afirma que 24 de seus soldados e quatro civis foram mortos no mesmo período.

O conflito ainda permanece vinculado à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Teerã afirma que o acordo de cessar-fogo implica trégua também no Líbano, algo que Washington e Tel Aviv ignoram. Além disso, a semana começou com os dois lados voltando a trocar ataques e colocando em risco as negociações no Oriente Médio.

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