O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sinalizou temer a possibilidade de sofrer algum atentado contra sua vida após ter assumido a relatoria dos processos referentes ao Banco Master na Corte, além de já acumular os relativos ao escândalo do roubo bilionário a aposentados e pensionistas do INSS.
A sinalização da preocupação ocorreu na tarde desta terça-feira (17) durante o julgamento da Segunda Turma que manteve as prisões do pai do banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, e do primo do empresário, Felipe Cançado.
“Talvez seja simples acabar com a investigação. Talvez basta algum desses atentar contra a integridade física do relator. O polo mais frágil sou eu”, afirmou durante a sessão da Corte.
Relatos de pessoas próximas apontam que Mendonça tem sofrido forte pressão por não barrar as investigações do esquema bilionário envolvendo Vorcaro e membros dos Três Poderes da República. Antes dele, a relatoria do caso era tocada por Dias Toffoli, que deixou o cargo após a revelação de que foi sócio dos irmãos em um hotel de luxo no interior do Paraná que negociou cotas com um fundo ligado ao Banco Master.
O desenrolar das investigações também respingou no colega Alexandre de Moraes, que teria conversado com Vorcaro um dia antes do empresário ser preso pela primeira vez no ano passado, e o contrato de R$ 129 milhões do escritório de advocacia da esposa do magistrado com o banco. Posteriormente, parlamentares também entraram na mira da Polícia Federal, entre eles o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teria recebido R$ 6 milhões em mesadas do empresário, além de ter viagens caras bancadas por ele em troca de favores políticos.
Mais recentemente, o senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também foi tragado pelo caso após áudios vazados à imprensa revelarem que ele cobrou R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória política do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Posteriormente, ele ainda admitiu que visitou o empresário após deixar a prisão em novembro do ano passado.
Medo com “A Turma”
A preocupação de Mendonça com a própria vida também é somada pela descoberta de uma “milícia privada” comandada por Vorcaro para ameaçar e coagir desafetos, a chamada “A Turma”. O grupo seguiu ativo mesmo após as suas duas prisões, sendo tocado pelo pai, Henrique Vorcaro, com a participação inclusive de ex-policiais federais e um agente infiltrado que tinham acesso a informações sigilosas da corporação e, até mesmo, de órgãos internacionais.
Durante as investigações, a Polícia Federal identificou episódios de ameaças violentas contra ex-funcionários de Daniel Vorcaro em suas residências, de outras pessoas próximas e de jornalistas.
Além do banqueiro, faziam parte o policial federal aposentado Marilson Roseno e o aliado Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” – ele tentou se matar na prisão horas após de ser detido e morreu dias depois.
A existência do grupo foi revelada durante a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, em março deste ano, e custava R$ 1 milhão ao mês.


