O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a atacar o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, nesta sexta-feira (7), chamado o secretário de Estado de ‘antilatino-americano’. Em evento em São José dos Campos (SP) para divulgar os dados da queda do desmatamento no Brasil, o petista citou a crise diplomática que o país vive com o governo Donald Trump.
Falando sobre o uso que o governo Trump fez da destruição da Amazônia como justificativa para impor novas tarifas contra o Brasil, Lula disse: “Depois vou pedir para colocarem os números [de redução do desmatamento] de novo. Quero tirar uma fotografia para mandar para o Trump”, acrescentou Lula, afirmando que as reuniões que teve até hoje com o republicano foram muito boas.
“Agora, ele tem um cidadão que não gosta do Brasil, que não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o secretário de Estado, Marco Rubio”, prosseguiu o presidente. “Ele é um antilatino-americano, ou um latino-americano frustrado, porque ele foi embora de Cuba —o avô, o bisavô dele é de lá, mas ele nunca morou em Cuba, é de Miami.”
Na verdade, Rubio é filho de cubanos: seus pais imigraram para os EUA em 1956, poucos anos antes da chegada de Fidel Castro ao poder. Eles tentavam escapar da crise econômica que assolava a ilha nos últimos anos da ditadura de Fulgêncio Batista. Segundo o republicano, sua família não tinha posses —seu pai era garçom, e a mãe, caixa de supermercado.
Já o avô de Rubio fugiu do regime comunista em 1962. Ele entrou no território americano sem visto válido, foi preso e chegou a receber uma ordem de deportação que nunca foi cumprida. Em 1966, como todos os cubanos nos EUA na época, seu status imigratório foi legalizado pelo governo Lyndon Johnson, que abriu as portas do país para dissidentes e imigrantes que deixaram o país após a vitória de Fidel.
Nesta sexta, Lula disse que Rubio “odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil”. “Ele faz coisas diferentes daquilo que a gente conversa com Trump”, afirmou o presidente, acrescentando: “O Brasil não tem veto aos EUA, não tem preferência pela China, nem pela França. O Brasil quer trabalhar com todos em posição de igualdade. O que nós não queremos é que o Brasil vire um mero exportador de uma riqueza que não é nossa, é do povo.”
As duas maiores economias do continente americano vivem uma crise diplomática sem precedentes na história recente das relações bilaterais. Acusando Brasília de protelar o aval a Daniel Perez, indicado de Trump para a embaixada americana, Washington revogou nesta terça (4) o visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti.
Perez foi aprovado nesta sexta (7) pelo Senado dos EUA como embaixador ao Brasil. Entretanto, ao contrário do usual no rito diplomático, seu nome foi anunciado e apresentado ao Legislativo antes que o Brasil concedesse o agrément, isto é, sua concordância com o indicado. Normalmente, esse processo, que é sigiloso, precede o anúncio público da pessoa escolhida.

