O Japão registrou seu 17º ano consecutivo de queda da população total e agora tem menos de 120 milhões de japoneses. O número do escritório de estatísticas do país, equivalente ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é o menor registrado desde 1984, quando a população japonesa ainda crescia —o pico foi atingido entre 2009 e 2010.
O país asiático confronta há anos não apenas o declínio de sua população em números absolutos como também um rápido crescimento proporcional da população idosa —ambos fenômenos resultantes de uma das mais baixas taxas de fecundidade do mundo há décadas.
Concomitantes, os processos geram uma série de desafios e transformações sociais profundas para o país, como o aumento de gastos previdenciários, lacunas no mercado de trabalho, redução da arrecadação total e mudanças no papel dos idosos e das famílias na sociedade japonesa.
Segundo dados oficiais, a taxa de fecundidade total do Japão registrada em junho foi de 1,14, com queda 0,01, o décimo ano de decréscimo. A métrica se refere ao número médio de filhos nascidos vivos que se espera que uma mulher japonesa tenha, de acordo com dados de fecundidade da população na data de registro da estatística.
Estatisticamente, grosso modo, considera-se que quando o número médio de filhos por mulher se encontra abaixo de 2,1, a chamada taxa de reposição, a população em questão tende a diminuir ao longo do tempo, já que os nascimentos ocorrem em menor número do que o necessário para “repor” cada casal. Isso, claro, sem considerar migrações.
A comparação entre as taxas de fecundidade do Brasil e do Japão dá uma dimensão melhor de como a crise demográfica japonesa é profunda e vem de longa data. Segundo etimativas da ONU compiladas pelo Banco Mundial, a taxa de fecundidade total do Brasil está hoje em torno de 1,6, ante 1,14 do Japão.
No passado recente, no entanto, a taxa brasileira ainda era muito alta: em 1960, era de 6, ainda que em declínio; naquele mesmo ano, há mais de seis décadas, a do Japão era de 2 —ou seja, já abaixo da chamada taxa de reposição, algo que o Brasil só atingiu no começo do século 21.
A queda da taxa brasileira, portanto, foi muito mais acelerada que a japonesa, mas também muito mais recente. O resultado prático: o Japão de hoje lida com décadas de poucas crianças nascendo, junto de uma altíssima expectativa de vida que ajuda a aumentar a proporção de idosos já há muitos anos. Os problemas do Brasil relativos à questão são de outra ordem (e ritmo).
Outro fenômeno que alimenta essas baixas taxas de nascimentos é o distanciamento da população do casamento e da formação de famílias.
A capital do país ilustra esse cenário. Uma pesquisa de 2024 em Tóquio indicou que cerca de 70% de pessoas interessadas em casar não estavam de fato buscando se relacionar.
A solução do governo local foi criar um aplicativo de namoro oficial do governo, com condições estritas para os interessados ingressarem —como comprovantes de que estão solteiros— e baseado em inteligência artificial para aumentar as chances de encontros; neste mês, Tóquio celebrou 265 novos casamentos através do aplicativo.
De acordo com dados disponíveis na página do escritório estatístico japonês, as estimativas oficiais da população já contabilizavam menos 120 milhões de japoneses no país desde fevereiro de 2025, quando o cálculo apontava 119.966.929 habitantes. A eles, naquela data, somariam-se 3,4 milhões de estrangeiros vivendo no país.
Já com dados consolidados de pesquisas nacionais (ou seja, observados), o escritório registrou em 1º de fevereiro de 2026 um aumento de 12,14% no número de estrangeiros no país, totalizando 3,9 milhões. Segundo o governo japonês, é o maior número desde que o dado começou a ser contabilizado, em 2013.
Entre fevereiro de 2025 e 2026, o aumento absoluto de estrangeiros foi de 422 mil, ante uma diminuição da população japonesa de 888 mil pessoas —isto é, o ritmo de crescimento da população estrangeira não foi suficiente para repor nem metade das perdas demográficas considerando apenas japoneses.
Em termos de estrutura demográfica, ou seja, da proporção de cada faixa etária, o que os dados mostram é justamente o envelhecimento esperado diante de taxas de fecundidade tão baixas há anos.
A população com menos de 15 anos segundo os dados relativos a 1º de fevereiro de 2026 foi de 13,35 milhões, uma redução de 356 mil (2,6%) em comparação ao mesmo mês de 2025. Do outro lado da estrutura etária, a população com 65 anos ou mais era de 21,44 milhões, com aumento de 480 mil (2,29% em relação ao mesmo período.

