Hoje completam 04 anos da tragédia que assolou Milagres-Ce; relembre

A madrugada do dia 05 de abril de 2013 foi inesquecível para os moradores da cidade de Milagres. Deveria ser uma noite chuvosa normal, se não fosse a tragédia que destruiu parte da sede do município. A expressão “a gota d’água” se encaixa perfeitamente naquele episódio. O açude conhecido como “Açude do sr. Telquides” já estava cheio e com a chuva daquela madrugada “estourou”, vindo a atingir principalmente os bairros Francisca do Socorro e Frei Damião. Os efeitos da água, só que de forma mais amena, também foi visto nos Bairros Missionárias, Casa Própria, Rodoviário e Centro.

Muros caíram, casas ficaram semi-destruídas, famílias desabrigadas e/ou desalojadas, muitas das quais perderam praticamente tudo o que tinham. As ruas Pedro Furtado de Lacerda, Júlio Sampaio, Sousa Presa e Santos Dumont, entre outras, ficaram inteiramente alagadas naquela madrugada.

No Bairro Francisca do Socorro o cenário era desolador. Tinha lixo, entulho, areia e buracos por toda parte. Famílias inteiras amanheceram o dia limpando suas casas na tentativa de salvar alguns dos seus pertences, outras tiveram que se abrigar no CSU – Centro Social Urbano e na antiga sede da Escola Maria Lúcia Belém.

De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) a chuva em Milagres, no período de 7h00 de quinta-feira (04/04/2013) a 7h00 da sexta-feira (05/04/2013) foi de 103 milímetros, na ocasião, a maior registrada no Cariri. Todavia, em contradição, o pluviômetro da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) teria transbordado e registrado acima de 145 milímetros.

Transbordamento de açudes provocou o caos na cidade de Milagres na madrugada do dia 5 de abril (Foto: Klébio Leite/Agência OKariri)

MORTE – Na manhã da tragédia, por volta das 05 horas da manhã, um homem foi encontrado em uma boca de lobo na Rua Padre Cícero. Os relatos contam que ele estaria preocupado com a irmã que morava em outro ponto do bairro e teria ido visita-la.  Ao atravessar uma rua, caiu no bueiro e foi arrastado pela correnteza vindo a falecer.

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SOLIDARIEDADE – Nesse episódio 60 famílias ficaram desabrigadas. Salas da Secretaria da Assistência Social, Trabalho e Cidadania foram destinadas para a triagem das doações que não paravam de chegar, especialmente roupas e alimentos. Diversos veículos da prefeitura e postos de coleta foram disponibilizados para recolher as doações e um grande exercito do bem, formado por grupos de jovens, comerciantes, veículos de comunicação, representantes de igrejas e cidadãos de bem, se engajaram em uma grande campanha de arrecadação de donativos.

No dia seguinte a tragédia (06/04/2013), a Rádio Som da Terra FM e o Portal OKariri, através da então OKariri Web Rádio e Rádio Centro ACOM, fizeram uma programação especial convocando a população a ajudar nas doações. Foi um dia inteiro de motivação e outras cidades que escutavam, também participavam. Em Mauriti, os donativos foram entregues na União FM; em Abaiara na Rádio Abaiara FM e em Jamacaru, na Radio Jamacaru FM.

Naqueles dias a solidariedade tomou conta de todos.

Foto: OKariri.com

PREFEITURA – Na ocasião, uma equipe da Prefeitura Municipal circulou a cidade, inclusive o então Prefeito Hellosman Sampaio de Lacerda, constatando os estragos provocados pela chuva. A Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento iniciou um trabalho de limpeza da cidade, que durou dias e a Secretaria da Assistência Social, por sua vez, fez o atendimento as 60 famílias desabrigadas e desalojadas.

Na época, o Prefeito Hellosman Sampaio de Lacerda decretou estado de calamidade pública no município e disse que iria ressarcir algumas famílias.

Valor da reconstrução – Em entrevista concedida em uma sexta-feira 12 de abril de 2013 para a TV Jangadeiro, o Prefeito do Município, Hellosman Sampaio de Lacerda, disse ao repórter Tadeu Gomes que para recuperar os danos seriam necessários cerca de R$ 1,75 milhões.

O valor declarado por Hellosman entrou em contradição com o estipulado pelo então governador do estado, Cid Gomes. Antes de presidir a solenidade de inauguração da E.E.E.P. Irmã Ana Zélia da Fonseca, na noite da quinta-feira 16 de maio de 2013 o então Governador caminhou pelas ruas esburacadas e visitou a mãe do agricultor Cícero José Luciano que faleceu por conta da inundação e, durante o seu discurso prometeu colaborar com para amenizar os efeitos da catástrofe através da Secretarias das Cidades administrada por Camilo Santana (Hoje Governador do Ceará). Após a soledidade, durante uma coletiva de imprensa, Cid falou voltou a falar sobre o problema e, expressou valores na ordem de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) como necessários para resolver a questão da pavimentação das ruas afetadas.

As obras de recuperação só foram iniciadas exatamente quatro meses após destruição do dia 05 de agosto de 2013. Atualmente as ruas dos bairros atingidos foram restauradas as famílias desabrigadas, tiveram suas casas reconstruídas.

Aterramento do açude 

Mãe tenta atravessar lamaçal com dois filhos após temporal de 103 mm ocorrido no dia 5 de abril (Foto: Klébio Leite/Arquivo Agência OKariri)

O açude de Telquides (que levava o nome do proprietário), que foi o principal protagonista da tragédia, começou a ser aterrado no inicio da tarde da segunda-feira (17/06/2013). Os trabalhos foram realizados pelo próprio proprietário do reservatório (hoje em saudosa memoria) que na ocasião, afirmou não ter culpa pelos acontecimentos ocorridos. “A gente fica muito famoso. É mil e um retrato que tiraram e ficam colocando culpa em mim, mas eu não tenho culpa porque Deus é quem manda a chuva, a gente não pode empatar”, disse ele.

Hoje, 04 anos depois da tragédia, ficam apenas lembranças ruins e o desejo de que o município não venha mais passar por nenhum tipo de tragédia. Porém nesses dias ruins, que inclusive houve uma vitima fatal, ficou marcado principalmente pelo espírito solidário dos milagrenses e dos municípios vizinhos.

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