O ex-presidente do Peru Ollanta Humala foi libertado nesta sexta-feira (31) de uma prisão em Lima, após a Justiça anular sua condenação a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro e pela acusação de receber contribuições ilegais da Odebrecht e do regime da Venezuela.
Humala, que governou o Peru entre 2011 e 2016, deixou a prisão em um veículo por volta das 19h40 no horário local, escoltado por policiais e cercado por um grande grupo de apoiadores.
O Tribunal Constitucional declarou a nulidade de todo o processo penal contra Humala, que estava preso desde abril de 2025. A corte julgou um habeas corpus apresentado em janeiro pelos advogados do ex-presidente.
“Fomos vítimas de uma perseguição política e judicial”, disse Humala a jornalistas ao deixar a prisão exclusiva para ex-chefes de Estado, localizada em uma base policial na zona leste de Lima.
A Justiça peruana condenou Humala em abril de 2025 a 15 anos de prisão, após considerá-lo culpado por lavagem de dinheiro em um esquema de contribuições ilegais provenientes da Venezuela e da empreiteira brasileira Odebrecht para suas campanhas presidenciais de 2006 e 2011, respectivamente.
A esposa de Humala, Nadine Heredia, também foi condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro, mas, após tomar conhecimento da sentença, pediu asilo no Brasil, onde vive desde então.
Ao anular a condenação, o Tribunal Constitucional considerou que o financiamento recebido de terceiros para campanhas eleitorais não configurava crime à época em que Humala disputou a Presidência.
Na decisão, a corte declarou “procedente a ação, ao considerar comprovada a violação dos princípios da legalidade e da tipicidade, conexos ao direito à liberdade pessoal”.
O Ministério Público acusou Humala e sua esposa, Nadine Heredia, de lavagem de dinheiro por supostamente ocultarem o recebimento de US$ 3 milhões da Odebrecht durante a campanha presidencial de 2011, segundo declarou aos procuradores peruanos o ex-presidente da empreiteira brasileira, Marcelo Odebrecht.
De acordo com a denúncia, em sua fracassada campanha de 2006, o casal também teria desviado quase US$ 200 mil enviados pelo então líder da Venezuela, Hugo Chávez, por meio de uma empresa daquele país. Eles negam as acusações
A Odebrecht, cujo escândalo de propinas e corrupção afetou vários países da América Latina, reconheceu em 2016 que pagou dezenas de milhões de dólares em subornos e doações eleitorais ilegais no Peru desde o começo dos anos 2000.

