O ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández retornou ao país neste domingo (26), oito meses após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tê-lo indultado. Hernández cumpria pena de 45 anos de prisão nos EUA por tráfico de drogas e armas, e foi libertado em dezembro do ano passado após o perdão.
O ex-presidente hondurenho, que cumpriu dois mandatos consecutivos de 2014 a 2022, desembarcou no Aeroporto Internacional de Palmerola, a cerca de 60 km a noroeste da capital, Tegucigalpa, em um voo particular.
Hernández foi recebido por familiares, incluindo sua mãe, filhas e a esposa, Ana García, que concorreu sem sucesso à candidatura presidencial em 2025, mas perdeu para o atual presidente Nasry Asfura —apoiado por Trump.
Já na pista de pouso, eles se ajoelharam no asfalto para rezar e depois acenaram para centenas de apoiadores do partido do ex-presidente que chegaram de ônibus para receber Hernández antes de ele embarcar em outro voo para o aeroporto de Toncontín, em Tegucigalpa.
Hernández deve comparecer a um tribunal em 3 de agosto para enfrentar acusações de fraude e lavagem de dinheiro em seu país. Um mandado de prisão emitido contra ele foi suspenso em junho, o que significa que ele não será detido ao chegar.
Em entrevista à agência Reuters na quarta-feira (22), Hernández, 57, disse que solicitaria o arquivamento das acusações.
“Não posso negar a profunda emoção e alegria que sinto em meu coração por estar voltando para casa”, escreveu ele no X no início deste mês, dizendo que estava contando os dias para ver sua família. “Não foi fácil. O processo foi extremamente difícil… e o que vivi na prisão, sinceramente não desejo a ninguém”, afirmou.
Os problemas jurídicos de Hernández remontam à sua captura em Tegucigalpa em fevereiro de 2022 e subsequente extradição para os EUA dois meses depois.
Em 2024, um juiz americano o condenou a 45 anos de prisão por acusações relacionadas a tráfico de drogas e armas —ele nega todas as acusações.
O indulto concedido por Trump no final de 2025, em meio a uma eleição presidencial acirrada em Honduras, levou um candidato presidencial e eleitores a reclamarem de interferência dos EUA no processo político. O indulto, por outro lado, não afetou as acusações contra Hernández em Honduras.
Uma investigação de corrupção conhecida como Pandora 2 acusou Hernández e outros funcionários de alto escalão de desviar quase US$ 11 milhões em fundos públicos para campanhas políticas de 2010 a 2013. Parte desse dinheiro teria sido usada na primeira campanha presidencial de Hernández.
As acusações contra o ex-presidente Porfirio Lobo e o ex-ministro das Finanças Wilfredo Cerrato, ambos implicados na investigação, foram arquivadas.
Hernández disse à Reuters que não descartava concorrer novamente a um cargo eletivo, embora tenha acrescentado que isso não estava em seus planos imediatos. Mas o ex-presidente afirmou estar preparado para compartilhar sua experiência política com aqueles no poder: “Temos uma nova liderança em nosso partido; queremos apoiá-los”.

