Europa volta a enfrentar volatilidade após nova escalada entre conflito EUA-Irã

A economia da Europa enfrenta uma nova rodada de incerteza depois que Donald Trump declarou encerrado o cessar-fogo dos Estados Unidos com o Irã, disseram autoridades da região.

O fracasso das negociações de paz elevou os preços do petróleo, sinalizando nova pressão de alta sobre a inflação e mais um golpe no sentimento econômico, justamente quando os efeitos da fase inicial da guerra começavam a perder força.

“Quando os preços da energia sobem”, a economia sofre pressão adicional, disse o ministro das Finanças da Holanda, Eelco Heinen, nesta quinta-feira, em Bruxelas. “Isso não é um bom sinal”, afirmou, acrescentando que um Irã com armas nucleares também seria algo negativo para o mundo.

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A nova escalada no Oriente Médio mostra por que formuladores de política na Europa estavam tão apreensivos com o memorando firmado pelos EUA com o Irã para interromper os combates. O Banco Central Europeu já vinha sinalizando que poderia voltar a elevar os juros depois da alta de junho, e investidores reforçaram as apostas em um aperto monetário adicional após a fala de Trump.

Reagindo às declarações do presidente dos EUA, o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, disse que ele e seus colegas estão agora “de volta à estaca zero”.

A inflação vinha perdendo força. O índice dos 21 países da zona do euro ficou em 2,8% no mês passado, ainda acima da meta de 2%, mas bem abaixo das expectativas, à medida que a queda nos mercados de energia era repassada aos custos dos combustíveis. Agora, porém, os efeitos de segunda ordem que preocupam o BCE — como trabalhadores exigindo reajustes salariais maiores — se tornaram mais prováveis.

A renovada preocupação com os preços surge no momento em que ministros das Finanças devem discutir maior flexibilidade orçamentária para países europeus que enfrentam dificuldades para amortecer o impacto do alto custo da energia sobre famílias e empresas.

No mês passado, a Comissão Europeia decidiu permitir que os países se desviassem das regras fiscais por causa da crise. Agora, as nações podem gastar até 0,3% do PIB em medidas relacionadas à energia sem que isso entre no cálculo da regra de déficit de 3% da União Europeia. Isso inclui gastos com energia nuclear, informou a Bloomberg na quarta-feira, antes da discussão desta quinta.

Além da inflação, o crescimento econômico também enfrenta novos ventos contrários, em uma semana que começou com dados da Alemanha sugerindo que a crise que atinge a maior economia da Europa poderia estar perto do fim. A preocupação, agora, é com uma expansão ainda mais fraca, na melhor das hipóteses, à medida que consumidores e empresas reduzem gastos em resposta à conta de energia mais alta.

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A economia europeia “continua cercada de elevada incerteza e volatilidade”, disse o comissário europeu Valdis Dombrovskis. O cessar-fogo “não está realmente se sustentando, há novos bloqueios no Estreito de Ormuz. Tudo isso, claro, tem implicações. Mas, no geral, vemos que a economia europeia está se mostrando resiliente diante desse choque de oferta de petróleo e gás”.

© 2026 Bloomberg L.P.

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