Eduardo Bolsonaro chama a polícia após visita de repórter

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que acionou a polícia nos Estados Unidos depois que um homem, identificado segundo ele como repórter do Intercept Brasil, apertou a campainha da casa onde mora no Texas. Em publicação no X, Eduardo classificou o episódio como “grave” e questionou o que chamou de invasão de privacidade contra sua esposa e sua filha de 5 anos.

No vídeo publicado em seu perfil no X, Eduardo disse que recebeu uma ligação da esposa, Heloísa Bolsonaro, “muito nervosa”, relatando que havia uma pessoa nas proximidades da residência. Segundo ele, o homem teria sido atendido inicialmente pela filha do casal e, depois, continuado a circular pela vizinhança. 

“A gente acabou descobrindo que é uma pessoa do Intercept. Estava incomodando a vizinhança. Nós chamamos a polícia porque eu não sabia do que se tratava”, declarou Eduardo.

A esposa de Eduardo também relatou o episódio em seu perfil no Instagram. No texto publicado nos stories, ela afirmou que estava saindo do banho quando a campainha tocou e que a filha, acreditando que fosse o pai, correu até a porta e mostrou o rosto pela janela lateral. Ainda segundo Heloísa, o homem se identificou em inglês como repórter do Intercept e disse que queria confirmar se ela vivia naquele endereço com a família. Heloísa, entretanto, disse que quem abriu a porta foi ela própria, e não a criança.

A esposa de Eduardo disse que fechou a porta e continuou observando o homem, que teria entrado no carro, mexido no celular, saído e, depois, voltado a tocar campainhas de casas vizinhas. Heloísa afirmou que o repórter buscava detalhes sobre a vida e a rotina da família. Ela disse ainda que chamou a polícia porque estava sozinha com os dois filhos e que saiu à rua para fazer fotos enquanto ele ainda circulava.

De acordo com os relatos do casal, os policiais teriam prestado atendimento à família, disponibilizado viaturas para fazer rondas nas imediações da casa e informado que monitorariam as câmeras do bairro caso a pessoa retornasse ou voltasse a “importunar, fotografar ou perturbar” a privacidade da família.

Eduardo Bolsonaro afirmou ter registrado boletim de ocorrência e enviado imagens do homem às autoridades americanas. Ele também mencionou que, no Texas, muitas pessoas têm armas em casa. “Não estou fazendo ameaças a ninguém. Estou falando que é uma situação totalmente grave, que foge da rotina”, afirmou o filho de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil.

Família sob escrutínio

O episódio ocorre em meio à repercussão de reportagens do Intercept Brasil sobre diálogos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniel Vorcaro e tratativas para financiar o filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.

Em nota enviada ao Metrópoles, o Intercept Brasil afirmou que acompanha a situação envolvendo “um jornalista local experiente contratado” para a cobertura e disse avaliar desdobramentos relacionados à segurança do profissional. O portal classificou as reações como “ameaças, mentiras e exposição pública” ligadas ao exercício da atividade jornalística, que, segundo a nota, seguiria padrões éticos e profissionais.

Paulo Figueiredo diz que repórteres serão considerados “invasores”

Após a publicação de Eduardo e Heloísa, o influenciador Paulo Figueiredo, aliado político de Eduardo Bolsonaro e também residente nos Estados Unidos, reagiu no X. Ele escreveu que repórteres do Intercept ou de qualquer veículo que entrem em sua propriedade sem convite serão considerados “trespassers” (invasores) e tratados sob a “Castle Doctrine” do estado da Flórida.

A chamada “Castle Doctrine” é um princípio jurídico associado à defesa da residência nos Estados Unidos. No caso da Flórida, a legislação prevê que uma pessoa que esteja legalmente em sua casa não tem o dever de recuar e pode usar ou ameaçar usar força em determinadas circunstâncias previstas na lei. A norma não justifica, entretanto, o uso de força letal contra alguém que meramente toque a campainha de uma residência e que aceite se retirar da propriedade se alertado pelo dono.

Até a publicação deste texto, não havia manifestação do Intercept Brasil sobre o episódio em seu portal ou em seus perfis nas redes sociais.

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