Dois anos da tragédia em Milagres-CE; Relembre os fatos

 Hoje fazem dois anos da tragédia que assolou a cidade de Milagres-CE (05/04/2013). Em uma seria de quatro matérias, o Portal OKariri relembrou os fatos daquela madrugada em que as ruas e casas sofreram com o transbordamento e estouro da parede do açude de “Telquídes” que ficava na parte superior da cidade, na ocasião do incidente chegou a 65 o numero de famílias ficaram desabrigadas ou desalojadas, e precisaram ser aparadas pela Assistência Social do Município,além de contar com a ajuda  de outras entidades como a campanha feita pelas Rádios Som da Terra FM e a então OKariri Web Rádio;  Relembre as matérias:


Dois anos de uma tragédia; Relembre os fatos  [Parte 1] [Parte 2] [Parte 3]


Além dos estragos causados pela chuva, a população temia pelo tempo que amanheceu nublado, mas pela graça de Deus não nos próximos dias não houve, nenhuma chuva na mesma proporção.
Além dos estragos causados pela chuva, a população temia pelo tempo que amanheceu nublado, mas pela graça de Deus não nos próximos dias não houve, nenhuma chuva na mesma proporção.

Em entrevista concedida em uma sexta-feira 12 de abril de 2013 para a TV Jangadeiro o Prefeito do Município, Hellosman Sampaio de Lacerda, disse ao repórter Tadeu Gomes e disse que para recuperar os danos seriam necessários cerca de R$ 1,75 milhões.

A exatos 30 dias muitos moradores ainda estavam assustados e falavam sobre os momentos de desespero os quais passaram. Os moradores começaram a realizar por conta própria.

Antes de presidir a solenidade de inauguração da E.E.E.P. Irmã Ana Zélia da Fonseca, na noite da quinta-feira 16 de maio de 2013 o então Governador do Ceará Cid Gomes caminhou pelas ruas esburacadas e visitou a mãe do agricultor Cícero José Luciano que faleceu por conta da inundação.

Durante discurso na solenidade e após, já na coletiva de imprensa, Cid Gomes falou sobre o problema, e expressou valores na ordem de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) como necessários para resolver a questão da pavimentação das ruas afetadas e garantiu o repasse do que for necessário para a reconstrução dos estragos. Veja a s entrevistas.

Ainda na solenidade de inauguração da escola Profissionalizante, o então Secretário das Cidades do Estado e atual Governador Camilo Santana, confirmou a realização de convênio com o município para a recuperação das ruas afetadas pelas chuvas, os recursos também seriam empregados na recuperação das casas atingidas.

Entrevista do prefeito para TV Jangadeiro:

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Entrevista que o então Governador Cid Gomes:

Entrevista do então Secretario das Cidade Camilo Santana:

As obras só foram iniciadas exatamente quatro meses após destruição do dia 05 de agosto de 2013, a Prefeitura Municipal de Milagres iniciou os trabalhos de recuperação das áreas atingidas.

Aterramento do açude 

O açude de. Telquides (que levava o nome do proprietário), que foi o principal protagonista da tragédia, começou a ser aterrado no inicio da tarde desta segunda-feira (17/06/2013). Os trabalhos foram realizados pelo próprio proprietário do reservatório (hoje em saudosa memoria) que na ocasião, afirmou não ter culpa pelos acontecimentos ocorridos. “A gente fica muito famoso. É mil e um retrato que tiraram e ficam colocando culpa em mim, mas eu não tenho culpa porque Deus é quem manda a chuva, a gente não pode empatar”, disse ele.

Dono
Dono açude, Sr. Telquídes, hoje de saudosa memoria.

O Sr. Telquídes também revelou a reportagem do Portal OKariri ter procurado o Ministério Público e que a Prefeitura não teria concluído o trabalho prometido para o açude na gestão passada. “Tentei desviar as águas, mas não teve condição. Na outra administração o secretário chegou e abriu, disse que vinha colocar manilhas e nunca colocou e ficou a céu aberto. Estou abrindo com ordem do Promotor”, frisou.

Ela ainda justificou a construção do açude no sentido de represar água para consumo de animais. “Construir o açude para o gado beber. Eu mantenho 70 a 80 rês. Ano passado eu cavei um poço e não preciso mais. Se é de está prejudicando o povo eu preferi aterrar. Se tivesse ajuda do prefeito era muito bom, mas eu só tenho ajuda de Deus”, lamentou.

Para o trabalho de aterramento do açude o proprietário estima um gasto em torno de R$ 5 a 6 mil. “É de acordo com as horas que levar. Estou pagando a R$ 140,00 a hora. Eu espero terminar com 30 horas de trabalho da máquina”, disse, sacramentando: “Fui eu que fiz, eu que estou desmanchando”.

Novo percurso

1A Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Milagres confirmou na ocasião que os serviços eram de responsabilidade do proprietário do açude. De acordo com o órgão, em conversa mantida com o Prefeito Municipal, Hellosman Sampaio, verificou-se a inatividade do reservatório e também o risco que sua permanência poderia apresentar a comunidade.

Já o então Secretário de Infraestrutura, Eugenio Queiroz, falou sobre o trabalho que hora está sendo realizado no açude. “Ficou acertado que o proprietário do açude faria o seu aterramento e nós enquanto governo, faríamos o novo percurso para o escoamento das águas e que dessa maneira, não passaria necessariamente por dentro das ruas, trazendo mais segurança e tranquilidade a todos que residem nessa área”, informou.

Moradores agradecem

O aterramento do açude foi recebido com alegria pelos moradores do Bairro Francisca do Socorro. Maria do Socorro, residente nas proximidades do reservatório, e que sofreu com a água dentro de casa, se disse satisfeita com o serviço. “No inverno, a gente deitava e não conseguir dormir pensando que vinha água! É bom demais! É a melhor coisa que estão fazendo”, comemora. Ela ainda afirmou ter medo do açude. “Quem é que não tem? Eu tenho muito medo! Esse açude aí mata gente!”, exclamou dizendo não querer lembrar a madrugada do dia 5 de abril.

Hoje, dois anos depois da tragédia, ficam apenas lembranças ruins e o desejo de que o município não venha mais passar por nenhum tipo de tragédia. Porém nesses dias ruins, que inclusive houve uma vitima fatal, ficou marcado principalmente o espírito solidário dos milagrenses e dos municípios vizinhos.


OKariri-curta


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