Os Correios devem registrar em 2026 o pior resultado de sua história, mas a deterioração das contas já está prevista no plano de reestruturação da estatal, segundo a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. Em entrevista ao jornal O Globo, ela afirmou que a expectativa do governo é de que, após esse período, a empresa volte a apresentar bons indicadores.
No primeiro trimestre, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,2 bilhões. Segundo Dweck, o resultado negativo ficou até abaixo da previsão traçada pela administração da companhia. A ministra disse que, além do prejuízo, a estatal também deve encerrar o ano com um déficit elevado, mas ressaltou que isso não representa descontrole.
De acordo com ela, parte dessa piora nas contas está ligada ao empréstimo de R$ 12 bilhões que entrou no caixa da empresa apenas no fim de 2025 e começou a ser utilizado neste ano. Os recursos, afirmou, vêm sendo direcionados à renegociação com credores e fornecedores, em uma tentativa de reduzir custos e reorganizar a operação.

Dweck também defendeu que, apesar de resultados negativos em algumas frentes, como o programa de demissão voluntária, os Correios têm avançado em medidas consideradas estruturais. Segundo a ministra, a estatal vem fechando novas parcerias, retomando contratos e melhorando prazos de entrega, o que pode abrir espaço para novas receitas. Uma parceria com a Receita Federal, na área de logística de galpões para mercadorias apreendidas, deve ser anunciada em breve.
Ao comentar o rombo primário das estatais federais entre janeiro e abril, Dweck disse que as maiores pressões vêm de Correios e Emgepron. No caso dos Correios, o déficit decorre da diferença entre receitas e despesas e se converte efetivamente em prejuízo. Já a Emgepron, afirmou, teve déficit elevado por causa do volume de investimentos, apesar de ter registrado lucro.

