CONEXÃO BETO FERNANDES: Provincianismo na política e administração de Juazeiro do Norte

Esta semana uma postagem do Martins Filho no Facebook  chamou a atenção sobre a continuação ou não de uma importante obra em Juazeiro do Norte iniciada na administração passada e que pode não ter continuidade pela falta de vontade política do atual prefeito Raimundo Antonio de Macedo (PMDB): Praça do Marco Zero.

A postagem de Martins tem foto da maquete da praça de Juazeiro e de outros pontos de importantes cidades mostrando que grandes centros urbanos têm esse espaço como resgate histórico e geográfico do início de diversos povoamentos. Em Recife, por exemplo, há a Praça Rio Branco, considerada o marco de fundação da “Veneza Brasileira”. Em Belo Horizonte a também Praça Rio Branco é o símbolo zero do início da formação da capital das Minas Gerais. A Praça da Sé é o marco geográfico inicial da maior cidade da América Latina, São Paulo. Em Brasília há também o cruzamento dos eixos rodoviário e monumental, a partir do local onde a cidade foi erguida em idealização de Juscelino Kubitschek e projeto de Oscar Niemeyer. A implantação de marco zero não é exclusiva do Brasil e, nos Estados Unidos, há o Ground Zero, em New York, onde ficavam as torres do World Trade Center até os ataques de 11 de setembro.

Na rede social mais famosa do mundo há a informação que durante entrevista coletiva do prefeito Raimundo Macedo a imprensa juazeirense, este passou a informação de que não dar continuidade à obra preferindo transformá-la num “camelódromo”. Segundo ainda a postagem o prefeito afirmou que não entendeu a serventia daquela praça que é de fato um ‘marco zero’, pois não tem para ele, sentido algum a obra.

Raimundo Macedo mostra um pensamento provinciano, autoritário e de falta de conhecimento. A Praça do Marco Zero foi discutida pela Comissão do Centenário e por pessoas de renomado conhecimento técnico da história do município onde podemos citar Renato Casimiro, Daniel Walker, Raimundo Araújo e Renata Dantas, dentre outros grandes escritores, memorialistas e historiadores. De acordo com os levantamentos históricos o povoamento de Juazeiro do Norte teve início no local definido e projetado. O site Veja Juazeiro publicou uma lúcida matéria enfocando este tema e é importante que todos leiam.

Raimundo Macedo tentou justificar sua intenção ao dizer que em seu primeiro mandato planejava levar os ambulantes para o CAR – Centro de Apoio ao Romeiro -. Isso é muito vago porque o Governo do Estado concluiu a obra do Centro de Abastecimento Monsenhor Murilo, mas para isso foi necessário que a administração repasse para o estado a área e quem fez isso foi o ex-prefeito Manoel Santana. Dizer que “o local cercado entre a cúpula da igreja e os boxes não leva a coisa nenhuma e não tem importância nenhuma sem visibilidade que pudesse identificar como marco zero do centenário” é uma argumentação frágil, retrógrada e conservadora.

É preciso lembrar que, aparentemente, pode haver outra intenção por trás deste ponto de vista. Todos sabem que em sua primeira administração Raimundo Macedo havia repassado o gerenciamento de vários equipamentos públicos, inclusive o CAR e o Mercado Central para a empresa SR Empreendimentos. O ex-prefeito Manoel Santana, ao assumir a administração reviu as concessões e retirou da lista o CAR e o Mercado Central.

A assessoria do prefeito deve informar ainda que a Praça do Marco Zero tem recursos da ordem de R$ 1,5 milhão e é fruto de emenda parlamentar do deputado federal José Guimarães (PT). Se for mudar a finalidade do projeto não terá que devolver os recursos aplicados? Que tal consultar a popular ao invés de tomar uma decisão unilateralmente?

Dentro do processo de reordenamento dos espaços públicos lembro que o Mercado Monsenhor Murilo tem 450 boxes. O que falta não é espaço, mas uma coordenação que possibilite levar romeiros para o local. Uma ação conjunta da Igreja e do poder público pode favorecer para que romeiros procurem o mercado visando aquecer vendas e compensar os que já estão com seus boxes. Que tal realizar celebrações? Shows carismáticos?  Apresentações artísticas culturais? Fica a dica.

Não dar continuidade a obra da Praça do Marco Zero mais parece uma birra porque não reconhecer a sua importância é algo no mínimo infantil. Querer desmerecer o mérito histórico deste empreendimento é antes de tudo uma prova inconteste da falta de conhecimento da história do município e até do projeto. Essa atitude, em nada difere do comportamento político de líderes de pequenos municípios. Infelizmente, o que estamos observando neste caso é provincianismo na política e administração de Juazeiro do Norte.

Obs.: Esta Coluna é publicada simultaneamente na Revista do Beto Fernandes, Blog do Juazeiro, Rede de Blogs do Ceará e Portal O Kariri.

As opiniões expressas pelos colunistas não representam, necessariamente,
a linha editorial do Portal OKariri

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