Brasil precisa de choque fiscal em 2027, mas “ajuste fiscal não rende voto”

O Brasil vai precisar de um choque fiscal a partir de 2027, mas as duas principais forças políticas na disputa das eleições presidenciais evitam colocar essa pauta nas discussões com medo de perder votos e acenam mais com ajustes do que com reformas. O diagnóstico foi feito por especialistas no painel desta sexta-feira (24) sobre política fiscal na Expert XP 2026.

Gabriel de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, um dos participantes do debate “Política Fiscal no Brasil: entre regras, reformas e sustentabilidade”, arriscou medir o tamanho do esforço necessário, que seria equivalente a 4% de um PIB estimado em R$ 13 trilhões, ou seja, algo em torno de R$ 500 bilhões.

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O especialista disse que, como “o mato é muito alto”, então o governo teria de onde cortar. Ele sugeriu entre outras medidas uma ampla reforma administrativa, a redução dos pisos de gastos com saúde e educação, entre outras medidas.

Um problema que se impõe é que “ajuste fiscal não rende voto”, conforme destacou no debate Bianca Lima, analista de Política da XP. “Os ajustes mais relevantes [no Brasil] foram feitos em momentos de grande crise econômica”, lembrou.

Segundo a analista as sinalizações das campanhas de Lula e de Flavio Bolsonaro estão distantes desse debate sobre cortar os gastos de forma mais expressiva.

Do lado do atual governo, por exemplo, estuda-se um ajuste nos parâmetros do arcabouço fiscal e não uma mudança na regra. Outro ponto da nova política que Bianca captou vinda de Brasília seria uma unificação das políticas sociais. E uma continuidade de buscar ajuste pelo viés da receita, com cortes de benefícios e reduções de gastos tributários.

Já do lado da campanha da oposição a analista da XP aponta sinalizações de busca por otimização da máquina pública, gestão mais eficiente de estatais, algumas privatizações, combate a supersalários etc. Ou seja, cortar na carne, antes de sugerir reduções de programas sociais.

Sobre o que deu de errado com o atual arcabouço fiscal, Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset, disse que o desenho da regra não estava mal-feito. “O problema não está na regra, mas na vontade de cumprir a regra. Não adianta ter a ferramenta. Tem que quere gastar inflação mais 2,5%”, afirmou lembrando que o governo optou, entre outros erros, por descontar algumas coisas para bater a meta.

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Barros, da ARX, concorda com essa leitura: “no primeiro ano da vigência, o governo pediu para não cumprir. Mal começou a já pediu exceções.”

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