Três anos depois da chegada de Javier Milei à Casa Rosada, os principais indicadores econômicos da Argentina apresentam sinais de recuperação e desafiam parte das previsões feitas por economistas que criticavam as medidas adotadas pelo presidente no início do mandato.
Quando assumiu o governo, em dezembro de 2023, Milei herdou uma economia marcada por inflação anual de 211%, retração da atividade econômica e forte desequilíbrio fiscal.
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Na época, uma carta assinada por 108 economistas de diferentes países, entre eles Thomas Piketty e o ex-ministro colombiano José Antonio Ocampo, alertava que as propostas do então presidente eleito eram “repletas de riscos que os tornam potencialmente muito prejudiciais para a economia argentina e o povo argentino”.
“Embora as soluções aparentemente simples possam ser atraentes, é provável que causem mais devastação no mundo real a curto prazo, ao mesmo tempo que reduzem severamente o espaço de política a longo prazo”, afirmaram os signatários à época, segundo a Fox Business.
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Três anos depois, o cenário é diferente. Dados de abril de 2026 mostram inflação anual de 34%, exportações próximas de US$ 9 bilhões por mês e crescimento de 4,4% do Produto Interno Bruto nos últimos 12 meses.
“O fato é que Milei realmente sabe suas coisas”, afirmou Evan Ellis, professor do Instituto de Estudos Estratégicos do Colégio de Guerra do Exército dos Estados Unidos, em entrevista à Fox Business.
Ajuste fiscal e abertura econômica
A recuperação ocorreu depois de uma série de medidas de austeridade adotadas pelo governo argentino. Entre elas estão cortes de subsídios, redução da estrutura ministerial e contenção de gastos públicos, ações que permitiram ao país voltar a registrar superávit primário.
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Segundo Pete Earle, diretor sênior de pesquisa do Instituto Americano de Pesquisas Econômicas, o governo também promoveu mudanças cambiais e reabriu o acesso aos mercados internacionais de capitais.
“O governo redefiniu a sua taxa de câmbio com uma dolarização informal, eliminando os sindicatos organizados, e iniciou o envolvimento externo reabrindo os seus mercados de capitais, o que resultaria em mais concorrência, o que seria melhor para todos”, relatou Earle à Fox Business.
Investimentos e energia impulsionam resultados
A melhora dos indicadores também foi impulsionada pela entrada de capital estrangeiro e pelo avanço do setor energético. Um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com o Tesouro dos Estados Unidos ajudou a fortalecer a confiança dos investidores, enquanto os fluxos de capital atingiram US$ 18,8 bilhões no último trimestre de 2025.
No setor de energia, a produção de petróleo cresceu 32% desde o início do governo Milei, alcançando 882,2 mil barris por dia. Já a produção de gás natural chegou a 48.748 milhões de metros cúbicos em 2025, avanço de 11% em comparação com os níveis registrados em 2023.
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Para Javier Negre, proprietário do jornal La Derecha Diario, o estilo do presidente argentino também ajudou a consolidar sua imagem política.
“Reagan era mais o establishment, Milei é um outsider”, afirmou Negre. “Ele não é educado. Ele vai te dizer o que pensa. Ele é um presidente de baixo custo e trabalha 20 horas por dia. Está sempre ao telefone.”
Para Pete Earle, os resultados econômicos observados até agora reforçam a eficácia das medidas adotadas pela atual gestão.
“A conclusão das políticas econômicas de Milei é que elas funcionam e podem se beneficiar de um manual semelhante, tornando o mundo mais rico e melhor. A inflação entrou em colapso, e essa única mudança alimentou outras coisas de forma positiva”, afirmou à Fox Business. “Esse é um dos maiores presentes para o resto do mundo, e eles podem ver que funciona; é tudo extremamente positivo.”

