Dois anos depois do Tribunal Internacional de Justiça ter declarado ilegal a ocupação israelense da Cisjordânia, a violência dos colonos e a anexação territorial “só estão piorando”, afirmou a ONU nesta quarta-feira (29).
O escritório de direitos humanos das Nações Unidas afirmou que, com os ataques de colonos israelenses e a criação de postos avançados “atingindo níveis recordes”, os países precisam agir para acabar com a ocupação.
“Estamos alarmados com o anúncio do governo israelense de aumentar ainda mais o número de assentamentos e postos avançados, e com os apelos abertos de líderes israelenses por vingança e punição coletiva contra as comunidades palestinas, acompanhados de ameaças de transformar a Cisjordânia em outra Gaza“, disse a porta-voz do escritório de direitos humanos, Ravina Shamdasani, em um comunicado.
Em um parecer consultivo abrangente e não vinculativo emitido em julho de 2024, o principal tribunal da ONU afirmou que a ocupação israelense do território palestino, que já dura décadas, é “ilegal”. O Tribunal de Haia considerou que “a presença contínua de Israel nos territórios palestinos é ilegal”, afirmou o juiz presidente do Tribunal Internacional de Justiça, Nawaf Salam. Israel tem “a obrigação de pôr fim à sua presença ilegal o mais rapidamente possível”, afirmou ele.
A violência explodiu na Cisjordânia desde o ataque do Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023, com ataques quase diários por parte de colonos israelenses e incursões regulares em aldeias palestinas. Shamdasani afirmou que, desde a última quinta-feira (23), oito palestinos, incluindo um menino, bem como dois membros das forças armadas israelenses, foram mortos na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967.
“Com os ataques de colonos israelenses e a criação de assentamentos e postos avançados atingindo níveis recordes, terceiros Estados devem agir com urgência e em uníssono para deter o contínuo assassinato e desapropriação do povo palestino e para pôr fim à ocupação israelense”, disse ela.
Os comentários surgiram depois que Ramiz Alakbarov, coordenador especial adjunto da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, alertou o Conselho de Segurança da ONU, na terça-feira (28), que a situação na Cisjordânia ocupada estava “se deteriorando rapidamente”.

