Água fonte de vida e direito de todos, tanto de ter quanto de preservar

Mesmo com as chuvas que ocorreram em Janeiro ainda estamos sentindo os efeitos provocados pela a seca que é devastadora, muitos têm menos água do que precisam.  Além de ser um problema climático, gera sérias dificuldades sociais, pois a falta de água torna complicado a criação de animais e o desenvolvimento da agricultura.

Animais e humanos sofrem os castigos da seca, em alguns casos as pessoas tem que andar por horas para buscar água, que muitas vezes é suja ou contaminada.

Já na flora, as arvores não dão os frutos como deviam, e até as flores não ficam atrativas para as abelhas, com isso compromete inclusiva a produção de mel. Em conversa informal com um dos produtores de mel em Milagres, ele relatou ao portal OKariri, ele relatou que o ano de 2013 foi um dos piores anos, para quem tem criação abelhas.

Direito a água

Não existe ser vivo que não dependa da água para sobreviver e se desenvolver. Além de indispensável à vida, a água doce é necessária a uma série de atividades humanas, como abastecimento público, agricultura, geração de energia, indústria, pecuária, recreação, transporte e turismo. O desenvolvimento e vida nas sociedades humanas sempre esteve ligado ao uso da água.

Porém, muitas populações em diversos países (inclusive no Brasil) estão tendo menos acesso à água do que precisam para sobreviver, manter a saúde e realizar suas atividades. Cientistas alertam que o acesso à água doce será cada vez mais difícil diante dos impactos ambientais e climáticos provocados pela ação humana.

O acesso à água de qualidade e em quantidade suficiente é um direito universal, de todos. No Brasil, a Lei n° 9.433/97, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, reafirma o direito à água das gerações presentes e futuras e a utilização racional e integrada dos recursos hídricos.

Locais que a Prefeitura e a CAGECE Abastecem

Já o abastecimento de agua potável em Milagres/CE em alguns casos fica por conta de poços ou cacimba particulares, cisternas são distribuídas pelo governo, já a cidade é abastecida em sua maioria pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE) e prefeitura (que está em processo de privatização), já os sítios, vilas e bairro afastados a maioria é pela prefeitura (a nossa reportagem entrou em contato com a Secretaria de Infra Estrutura do Município e com a Secretaria de Comunicação para saber mais detalhes sobre abastecimento por parte do Município, mais até o momento de divulgação dessa matéria não obtivemos resposta).

Açudes e Lagoas

Muitos dependem da água das lagoas e açudes até mesmo para lavar roupas, como é no caso do açude do Nazaré, que já teve muita água Hoje se tornou uma espécie de “Laguinho”. Diferente de agora, não dava para caminhar até o centro do açude e ter só a metade do corpo submerso. O que antes era um local de lazer e por onde muitas pessoas tiravam o sustendo, agora está praticamente ressequido. Antigamente os moradores da comunidade utilizavam a água para diversos meios, tais como: lavar roupa, tomar banho, irrigação de frutas e verduras e também como uma fonte de renda através da pesca, mas com a redução da água os peixes mal dão para o consumo.

Açude do Nazaré abaixo de sua capacidade normal / Foto Wendell Fernandes / Agencia OKariri

 

Cuidados que se deve ter com a água

A água é fundamental para a vida. Ela é a base do preparo de alimentos e bebidas e essencial para a higiene, mas quando não é tratada adequadamente pode originar doenças. Por isso os cuidados com a água consumida é importante, o primeiro passo é saber de onde ela vem.

As principais origens da água utilizada nas casas são: sistemas de abastecimento público, com água tratada; sistema de abastecimento público, sem água tratada; fontes individuais, ou seja, rios, lagos, lagoas, cacimbas, olhos d’água, açudes, igarapés, córregos, poços, cisternas e outros. Sabendo disso alguns cuidados podem ser tomados para evitar maiores problemas.

Os principais cuidados que você deve ter com a água da sua casa são:

– limpar e desinfetar, de 6 em 6 meses, as caixas d’água;

– todo vasilhame utilizado para guardar ou transportar água tem que ser bem limpo e tampado. Deve, também, possuir, quando possível, uma torneira para evitar qualquer contato com a água, que possa sujá-la;

– ferver a água de beber ou tratá-la adequadamente;

– retirar e lavar a vela dos filtros, sempre que observar que o processo de filtração está ocorrendo de forma lenta. Lavar com bastante água corrente, sem usar sabão, detergente ou outros produtos. Não usar escova, palha de aço, açúcar, sal ou outros produtos que desgastem a vela;

– trocar a vela do filtro quando ela se apresentar gasta.

– onde existir rede de esgoto, promover a ligação do domicílio à mesma. Não existindo, utilizar, como alternativa para o destino dos dejetos, a construção de privada higiênica com vaso sanitário, fossa seca ou outros tipos;

– evitar o lançamento de águas servidas diretamente na superfície do solo. O seu destino deve ser dado através de rede de esgotos, galerias de infiltração (campo de absorção, trincheira filtrante, etc), fossa de pedra e fossas absorventes (sumidouros);

– lavar, diariamente, as instalações sanitárias com produtos desinfetantes.

Declaração universal dos direitos da água

A ONU redigiu um documento em 22 de março de 1992 – intitulado “Declaração Universal dos Direitos da Água”. O texto merece profunda reflexão e divulgação por todos os amigos e defensores do Planeta Terra, em todos os dias.

1 – A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão, é plenamente responsável aos olhos de todos.

2 – A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.

3 – Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

4 – O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

5 – A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como a obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

6 – A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

7 – A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

8 – A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

9 – A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

10 – O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

 

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