Sessão da Câmara Municipal de Trairi quase termina em agressão

OKariri, por O Povo

 

“Eu não entendo. Eles vêm e tiram um. Aí a gente vota pra botar um melhorzinho, o pessoal vem e prende”. As palavras do feirante Manoel Braga Barroso dão o tom do sentimento da população de Trairi em meio à turbulência política que toma conta da cidade do litoral Oeste, distante 130 km de Fortaleza. Ele se refere ao afastamento do ex-prefeito Josimar Moura, em setembro, e à prisão da prefeita eleita Regina Nara Porto (PSDB), a Nara do Mauro, na última terça-feira. Ontem, Nara e outros 11 suspeitos de crimes eleitorais foram soltos por decisão liminar.

 

A liminar foi expedida pelo desembargador Antônio Sales, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE), ainda na noite de quinta-feira.

 

Mas a soltura da prefeita eleita não amenizou o clima de incerteza na cidade. “Tá uma instabilidade muito grande. Prenderam um grupo, depois outro e aí desestabilizou a prefeitura toda”, relata o motorista Wilton Jorge.

 

“Todo político faz isso”
A tensão política ficou evidente na sessão da Câmara Municipal de Trairi. Um dos que haviam sido presos na última terça-feira é o vereador Henrique Mauro Filho (PSD), irmão da prefeita eleita.

 

Após ser solto, ele entrou no plenário na manhã de ontem sob o olhar apreensivo dos colegas parlamentares. O vereador Eron (PRB), do grupo que faz oposição à prefeita eleita, subiu à tribuna para dizer que, agora, aqueles que acusavam o antigo prefeito tinham cometido as mesmas práticas que antes apontavam. Foi o suficiente para Henrique se levantar de dedo em riste, derrubar com um tapa o microfone de Eron e quase partir para a agressão. Ele foi acalmado por colegas. Depois, subiu à tribunal e disse que não admitia tal comparação.

 

“Nem eu nem minha irmã somos corruptos. Fiz o que todo político faz. Mas em nenhum momento usei dinheiro público, apenas ajudei o povo”, disse Henrique.

 

Entre os crimes dos quais ele e o grupo de Nara são acusados, está compra de votos.

 

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  1. Fonte: Diário do Nordeste

    09 de junho de 2005

    A Comissão do Desmonte da Assembléia Legislativa visitou o município de Trairi e o prefeito Josimar Moura Aguiar (PPS) confirmou as denúncias de sucateamento de veículos e o estado de emergência que Trairi apresentava no início da sua administração. Segundo ele, a coleta de lixo estava suspensa desde os meses de novembro e dezembro do ano pass ado porque o ex-gestor havia rompido, no final de outubro, o contrato de limpeza celebrado com a empresa HPAN, Serviços de Limpeza Ltda, responsável pela coleta de lixo da cidade. O ex-prefeito Henrique Mauro de Azevedo não participou da audiência, alegando ter se enganado de datas.

    A administração anterior não saldou todas as dívidas e o resto pagar que no início era de R$ 450 mil, passou a R$ 1,5 milhão devidos aos juros cobrados pela realização de obras de piçarra e asfalto, somada a folha de pagamento do funcionalismo do mês de dezembro e segunda parcela do 13º. A inadimplência com a Coelce a Cagece, Telemar, Tim chegam a R$ 417.998,40.

    O atraso no pagamento do mês de dezembro dos funcionários, inclusive os que são pagos com recursos do Fundef, que segundo o relatório do TCM, totaliza o valor de R$ 98.725,73. a folha de pagamento do funcionalismo compromete 50% da arrecadação municipal.

    De acordo com o prefeito, estavam parcialmente paralisadas as atividades do Programa de Saúde da Família (PSF) por falta de recursos. Ele denunciou ainda, a contratação irregular de professores, nos últimos 180 dias da gestão e outros que foram admitidos no período eleitoral. Apesar das efetivações, o município mantinha contrato com a empresa Coopserv-Cooperativa Prestadora de Serviços Terceirizados. Embora o contrato não tenha sido localizado, sabe-se que foi empenhada no exercício de 2004 para pagamento daquela empresa, a importância de R$ 4.774.388, 99 ficando ainda uma dívida de R$ 33.709,90.

    Os veículos pertencentes ao município estavam sucateados, alguns funcionando em condições precárias, outros estavam parados, sem pneus, baterias, pára-brisas, retrovisores, sendo inclusive, um deles, o ônibus escolar , objeto de um boletim de ocorrência, lavrado no dia 30 de dezembro de 2004, narrando o furto de seus pneus, bateria e sistema de transmissão. O ônibus citado, de acordo com o prefeito, uma semana antes de tomar posse, estava funcionando regularmente.

    Segundo ele, outros objetos desapareceram, dentre eles, um DVD da marca Sony, uma maquina fotográfica, dois violões Giannini, dois aparelhos de som Toshiba, um mini system , um computador ainda na caixa pertencentes à Secretaria de Educação. Também desaparecem um aparelho de ar condicionado e uma antena receptora de sinais de televisão do gabinete do prefeito e mais dez congeladores que serviam para beneficiar pescadores do distrito de Emboaca…

  2. Ministério Público

    • quinta-feira, 25 de junho de 2009

    • * Ex-prefeito de Trairi é condenado a 35 anos de prisão

    • O juiz da Comarca de Trairi, Gustavo Henrique Cardoso Cavalcante, julgou procedente Ação Penal proposta pelo Ministério Público contra o ex-prefeito de Trairi, Henrique Mauro de Azevedo Porto, acusado de apropriar-se de bens ou rendas públicas, desvio de verbas em proveito próprio ou alheio e utilizar-se, indevidamente, em proveito próprio, de bens e serviços públicos.

    O ex-prefeito Henrique Mauro de Azevedo porto, foi condenado como incurso no artigo 1º, incisos I e II e §1º do Decreto-lei nº 201/67 c/c artigo 69

  3. MPE-CE e Polícia Federal cumprem mandados de prisão contra prefeita eleita e vice

    Promotores que deram início na operação. Terça-(20/11/2012) 05h00mim

    A prefeita eleita de Trairi, município distante 125 km de Fortaleza (Norte do Estado), Regina Nara Batista Porto (PSDB), e o vice-prefeito eleito José Ademar Barroso (PSL) correm o risco de não exercer o mandato em 2013. A dupla e mais dez pessoas foram presas, temporariamente, na manhã de hoje, acusados de formação de quadrilha, corrupção eleitoral e transporte irregular de eleitores. Foram levados para o presídio local.Segundo o promotor de Justiça da comarca do Município, Igor Pinheiro, a investigação foi iniciada pelo Ministério Público Estadual, Polícia Federal e Procuradoria Regional Eleitoral após verificadas ligações telefônicas que apontavam indícios de irregularidades na campanha eleitoral da coligação encabeçada por PSDB e PSL.Os áudios captados pela Polícia Federal revelaram que pessoas ligadas à prefeita eleita compravam votos de trairienses oferecendo material de construção, vale-combustível, aquisição de remédios, empregos na futura gestão municipal, a construção de poços profundos, e até certidão de nascimento.Ainda ontem à tarde foram realizadas oitivas com eleitores que teriam sido corrompidos pela quadrilha. Segundo o Ministério Público, três eleitores confirmaram ter recebido de Regina Nara e José Ademar a promessa de benefícios em troca de votos.Entre os presos, além da prefeita eleita e seu vice, há também vereadores eleitos, familiares e funcionários do grupo. Também foram apreendidos ontem cheques, agendas e recibos dos acusados.Também está em andamento uma investigação de furto, na sede da delegacia local, de provas materiais (dinheiro enrolado em ligas) referentes à prática de corrupção eleitoral…

    Sem foro privilegiado

    Segundo a Justiça Eleitoral, o diferencial de um prefeito eleito ser preso antes de tomar posse, no dia 1º de janeiro, é que ele será julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), sem o foro privilegiado a que as autoridades têm direito. Até o dia 31 de dezembro, se mais investigações avançarem, prefeitos eleitos de diversos recantos do Ceará poderão ser presos e tornar o que era inédito em algo menos raro na política cearense.

    Para o promotor Eloílson Landim, o sucesso da ação pioneira em Trairi aponta para o empenho dos órgãos de fiscalização e para um desgaste no processo eleitoral no Brasil. “Isso (as prisões) prova que a eleição é uma grande mentira. Do jeito que está, ela não vai mudar nada. É preciso mudar o sistema político brasileiro. E os órgãos fiscalizadores precisam atuar mais”, avalia o representante do MP.”

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