
O vice-prefeito afastado de Quixeramobim, Tarso Borges (PMDB), aponta excessos do promotor Igor Pinheiro. Na terça-feira, 30, o membro do Ministério Público apontou o que seriam provas de fraudes em licitações.
Em relação à denúncia de falta de assinaturas na licitação, Tarso argumenta que o fato de não constar todas as assinaturas no papel não é um erro do documento. Ele afirma que “não deu tempo de reunir todas as assinaturas”, mas “bastavam cinco pessoas assinarem para tornar legal a homologação”. Tarso rebate que tenha havido fraude, pois os pagamentos ainda nem foram feitos.
O promotor André Clark, no entanto, rebate a crítica e considera que há falhas formais, muita delas graves. “A desorganização era recorrente e proposital”, disse.
Tarso destaca também como suposta falha do MP um bate-papo via Internet – usado como prova de acusação – em que a pessoa na conversa se chama Paulo de Tarso e não Tarso Borges. Clarck preferiu não se pronunciar a esse respeito, pois assumiu a promotoria anteontem e não ter participou da coleta de provas.
SERVIÇOS – Vinte e cinco dias após o afastamento do prefeito de Quixeramobim, Cirilo Pimenta (PSD), do vice-prefeito Tarso Borges (PMDB) e de mais 24 gestores por suposto envolvimento com esquema de fraude em licitações, o Município, a 206 km de Fortaleza, enfrenta percalços que afetam a rotina dos moradores.
Houve atraso no repasse de verbas para merenda e transporte escolar. De acordo com o vereador de Quixeramobim, Paulo Ferreira (PT), o Município estava sem licitação para a merenda, mas o Ministério Público Estadual (MPE) já autorizou novo certame.
No caso do transporte escolar, o repasse de verbas não ocorre desde fevereiro, período de início das aulas. É aguardada apenas a liberação do Ministério Público para que a nova licitação seja realizada. “Estamos colocando todos os serviços em prática e estamos caminhando com tudo certo”, disse Pavone.
Já o prefeito e o vice afastados dizem que está “tudo parado”. Por causa da ação do MP, diz Cirilo, “os recursos federais ficam parados e empresas deixam de investir na cidade”. Sobre a licitação do transporte escolar, Pimenta diz que assumiu a Prefeitura com três meses de pagamento atrasado. Ele quitou duas parcelas em janeiro e outra em fevereiro. No mesmo mês, também foi concluído o processo licitatório para o transporte. No entanto, quando deveria ser feito o primeiro pagamento, em março, deu-se a primeira ação do MPE, na qual foram levados os documentos da licitação.
Para o promotor André Clark Nunes, que assumiu o caso na quinta-feira, 2, nas férias do promotor Igor Pinheiro, não existe interferência do MPE no repasse de verbas. “Não há nenhum recurso público bloqueado”. Segundo ele, o afastamento dos gestores não interfere na administração, pois “as pessoas são afastadas, mas o trabalho é assumido por outras”.
Outro problema gerado pelo afastamento dos 26 gestores de Quixeramobim foram boatos de que uma empresa de calçados seria fechada por ação do Ministério Público. Em 28 de abril, o MPE emitiu nota em que esclarecia não haver nenhuma ação que pudesse prejudicar as atividades da empresa.
O Povo

