
O desejo cada vez mais explícito do senador Eunício Oliveira (PMDB) de disputar o comando do Palácio da Abolição tem provocado reações até em setores tradicionalmente identificados com o partido. Conforme O POVO publicou na última quinta-feira, o vice-governador Domingos Filho anunciou publicamente que é concreta a chance de deixar a sigla, após mais de 20 anos como peemedebista. Os possíveis destinos: PSD ou PSB – a mudança para este último, no entanto, dependerá de sinalização do governador Cid Gomes (PSB).
Domingos estaria incomodado com a estratégia de Eunício para se viabilizar, tentando construir candidatura de fora para dentro, a partir de articulações nacionais. Ele nega mal estar com o senador, mas admitiu incômodo com a condução do assunto pela cúpula do PMDB. “Abriram as portas para eu sair”, diz ele.
Há quem duvide da concretização da hipótese, mas, nos bastidores, Domingos é um dos nomes cotados como possível candidato de Cid à sucessão estadual. O destino do vice em setembro dirá muito sobre sua posição em 2014. Caso migre para o PSB, ficará clara expectativa de que sua candidatura em um cargo majoritário será, pelo menos, negociada pela cúpula do Governo.
Além de afetar Domingos Filho, as intenções de Eunício também causarão impacto na composição do PMDB na Assembleia e na Câmara dos Deputados, onde alguns não acreditam na possibilidade de o senador entrar na disputa com o apoio de Cid. No Legislativo estadual, pelo menos dois dos quatro deputados da bancada peemedebistas devem sair: Neto Nunes e Lucílvio Girão.
“Eu sou ligado ao governador. Hoje, com essa possível dissidência do Eunício para a oposição, vou ter que mudar”, disse Nunes, que relatou dificuldades na tomada de decisão, pelo fato de ainda não ter conversado com o “mentor” Cid.
Na Câmara dos Deputados, O POVO apurou que Genecias Noronha foi sondado para integrar o Solidariedade, partido em vias de oficialização no Tribunal Superior Eleitoral, ligado ao deputado federal Paulinho da Força (PDT-SP). Ele teria prometido refletir.
O ponto de Eunício
Pelo menos oficialmente, Eunício tem repetido que não será candidato de si mesmo e, até agora, não incluiu no discurso vestígios de oposição. A opção é de aguardar a definição do cenário nacional, que poderá até colocar PSB e PMDB em frentes opostas, caso o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) se lance já disputa presidencial. Apesar disso, as cartadas de Cid ao longo de setembro serão definidoras. O governador ainda não decidirá quem será seu favorito à sucessão nas próximas semanas, mas será obrigado a dar sinais de opções e preferências.
Sobre possíveis desfalques no PMDB, o senador e presidente estadual da legenda evita polemizar. Segundo ele, “não se pode segurar ninguém, em lugar nenhum”. Ele afirma, ainda, que o partido deverá fazer novas aquisições, compensando possíveis perdas eleitorais.
O Povo

